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Evento reúne negros para aulas de sobrevivência corporativa e planejamento de carreira

ANGELA BOLDRINI
·4 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Dicas de linguagem corporal e de gestão de tempo no trabalho. Muitos termos em inglês, como "head", "branding", "deadline". Poderia ser um seminário clássico sobre mundo corporativo, se não fosse por um detalhe: quase todos os palestrantes eram negros. O público-alvo também. Em um cenário em que pessoas negras ainda são minoria no topo das empresas, o evento Potências Negras, que aconteceu virtualmente nesta terça-feira (30), reuniu executivos negros para conversar e dar aulas a 15 mil pessoas. "Foram doze horas de pretos falando para pretos. Trouxemos pessoas de várias áreas, gerentes, supervisores, coordenadores, e isso gera um novo teto de possibilidade para as pessoas negras pensarem em suas carreiras, porque ninguém cria o que nunca viu", diz Ana Minuto, consultora empresarial que organizou o evento ao lado da Escola Profissas. A ideia é permitir a pessoas negras enxergarem a vida profissional como uma carreira, em que há progressão, e não apenas como um emprego para garantir o sustento básico de vida. O conceito de carreira, ela diz, ainda é parte de um privilégio de pessoas brancas. "Isso é uma herança da lógica escravocrata. As pessoas negras ganham menos, por exemplo, e se você não fortalece a autoestima delas, elas acham que é culpa delas e não conseguem avançar", afirmou. A ideia inicial era fazer o evento pessoalmente, mas a pandemia inviabilizou os planos. O saldo da experiência online para Ana, porém, é positivo. "A gente conseguiria atingir, pessoalmente, no máximo mil, 2 mil pessoas", diz. E, em meio à crise econômica causada pelo coronavírus, Minuto diz que é preciso dar subsídios às pessoas negras para aumentar a competitividade na hora de conseguir uma vaga. Por isso, foram montadas palestras com dicas práticas de sobrevivência empresarial. Uma delas trouxe um glossário de palavras em inglês comumente usadas no jargão corporativo, com suas traduções. Por exemplo: em vez de "budget", "orçamento", e em vez de "follow up", "acompanhamento". "Você não precisa usar a palavra em inglês, mas é fundamental você conhecer os termos da sua área, porque se te perguntarem e você ficar boiando, vai passar uma imagem não muito legal", disse Taís Silveira, gerente de marketing de atração da Weme. Já Andreza Maia, especialista em atração de talentos na CI&T, deu uma aula sobre posicionamento pessoal. "Eu como pessoa preta falava 'ah, isso de autoconhecimento é besteira, não tenho tempo pra isso'. Mas quando você entende que o autoconhecimento é a base para muitas coisas, elas ficam mais claras na sua mente", disse. O Potências Negras também teve a participação de empresas, como o Magazine Luiza, representado por Luiza Trajano, e a Avon, que publicou em novembro de 2020 uma carta aberta com um compromisso de implementar ações antirracistas. Daniel Silveira, presidente da Avon, afirmou que a diversidade é um "vetor estratégico da companhia" e disse que é preciso definir metas concretas em termos de diversidade. Claro que, embora dicas práticas como quais ferramentas digitais usar para coordenar melhor a agenda ou como criar uma imagem profissional para entrevistas de emprego tenham tido destaque na programação, questões estruturais como racismo e meritocracia também foram debatidas pelos palestrantes. Na tela, a foto de cinco crianças negras. "Sou eu, e meus quatro irmãos", explica Silveira. Ela, que é mestra em antropologia, conta a trajetória da família. Deise é recepcionista, Manu sonha em ser bióloga, mas trabalha como atendente de telemarketing, Francisco trabalha como ajudante de pedreiro e Lívia é técnica de enfermagem. "Desses cinco jovens negros, só um fez ensino superior. Por que isso? Se você respondeu que um se esforçou mais que o outro, tenho que te dizer que você caiu no conto da meritocracia", disse a uma audiência de 1.500 pessoas que assistiam ao vivo por meio do YouTube. "Eu fui adotada e saí do ciclo da pobreza. Pude acessar as melhores escolas privadas de Salvador." Ela também orientou o público sobre como proceder em casos de racismo no ambiente de trabalho. Segundo Silveira, o ideal seria comunicar o gestor primeiro. A partir daí, se não forem tomadas ações de investigação, procurar o RH da empresa e ir à polícia. "Racismo é crime, denuncie sempre", afirmou. Outra convidada a tocar em temas mais amplos foi a vereadora de São Paulo Erika Hilton (PSOL), que afirmou que cabe às chamadas minorias criar um modelo de sociedade participativo. "Não queremos a reprodução de um sistema opressor, nós falamos em equidade", disse. A gravação do Potências Negras ficará disponível por 30 dias e pode ser assistido pelo YouTube.