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Evento cultural Leão Etíope do Méier lança selo musical

·2 minuto de leitura

O produtor e DJ carioca Pedro Rajão dá uma risada ao observar os caminhos traçados pelo Leão Etíope do Méier. O “Leão”, no caso, é o evento cultural criado por ele, em 2014, no bairro da Zona Norte carioca — e que, até a pandemia dar as caras no país, ocupava quinzenalmente a Praça Agripino Grieco, onde há uma estátua de um leão (daí o nome), com shows, festas, projeções de filmes, debates e aulões a céu aberto com figuras como Luiz Antônio Simas e Nei Lopes. Em sete anos, o projeto recebeu artistas como Teresa Cristina, Ava Rocha, Zezé Motta, Carlos Malta, Orquestra Voadora e, o principal, lançou luz para nomes ainda não consolidados no mercado. A proposta se estende agora para o o selo musical que o Leão Etíope, não mais só um evento no Rio, lança hoje.

— Não imaginava mesmo que o Leão Etíope do Méier resultaria nisso. Começou pequenininho, como uma roda de samba para arrecadar dinheiro para o GRANES Quilombo (Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, uma dissidência da Portela, fundada em 1975 por Candeia, Nei Lopes e Wilson Moreira). E aí o negócio foi crescendo, crescendo, e virou um palco na cidade. Floresceu, sabe? — rememora Rajão.

A estreia do selo se dá com o lançamento de “Segura”, single do grupo fluminense Amplexos, da cidade de Volta Redonda, e que conta com a participação luxuosa de Lenine e Digitaldubs — é possível ouvir a faixa por meio de plataformas de áudio. Todas as produções do selo — discos, EPs e coletâneas — colocarão bandas independentes do país em contato com músicos já consagrados, para que a carreira de artistas menos conhecidos seja impulsionada.

Um das próximas novidades inclui uma parceria com Seun Kuti, filho do multi-instrumentista e rei do afrobeat Fela Kuti (1938-1997). Em breve, uma letra inédita do compositor e arranjador Moacir Santos (1926-2006) também deve ser gravada, em parceria com a flautista e biógrafa Andrea Ernest Dias, pelos cantores BNegão e Carlos Negreiros.

Há“coisas grandes pela frente”, como define Rajão. O produtor, porém, prefere não revelar tantos detalhes, já que grande parte das produções ainda aguarda financiamento (“que vem pingado, do pequeno caixa que conseguimos fazer vendendo camisetas”, ele diz).

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