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Europa quer padronizar entradas em smartphones; Apple segue "do contra"

Felipe Junqueira

Parlamentares europeus pretendem, mais uma vez, buscar um meio de forçar as fabricantes de smartphones e dispositivos móveis em geral a padronizar o conector dos aparelhos para simplificar a vida do usuário. Desde 2009 o parlamento tenta fazer com que todos os aparelhos tenham o mesmo formato, o que também reduziria impactos ambientais, de acordo com a justificativa dos defensores.

Todo mundo já passou ou viu alguém passar por uma situação dessas: um smartphone vai chegando ao limite da bateria, e o usuário vai atrás de um cabo para conectar a uma tomada e ganhar mais algum tempo de uso. E aí tem que perguntar: “alguém aí tem o carregador do dispositivo tal?”, em vez de simplesmente pedir um cabo.

É que a Apple tem seu próprio padrão, o Lightning, usado no iPhone desde o 5, lançado em 2012. Já nos dispositivos Android, o micro USB reinou durante muitos anos, e em 2019 o USB-C, que chegou em 2015 e foi ganhando espaço aos poucos, passou a ser o conector mais comum, apesar de alguns modelos de baixo custo ainda insistirem no outro padrão.

Apple não se mostrou preocupada em perturbar usuários ao remover conector P2 de seus produtos (Foto: Reprodução/Tihnte.vn)

Mas essa diferença entre dispositivos é bem mais antiga. Hoje em dia até que simplificou bastante. Antes dos smartphones, cada fabricante tinha seu próprio tipo de conector, o que dificultava bem mais. Em 2009, o Parlamento Europeu começou a discutir sobre essa padronização, e em 2014 votou uma lei que encorajava as empresas a adotarem um único padrão de conector de carregamento.

“A abordagem da Comissão de ‘encorajar’ a indústria a desenvolver carregadores padrões ficou aquém dos objetivos dos co-legisladores”, diz um comunicado do parlamento. “Os acordos voluntários entre diferentes agentes da indústria não alcançaram os resultados desejados”.

Nova abordagem

Cinco anos se passaram e os parlamentares acreditam que é hora de fazer uma nova tentativa. Alguns acreditam em tentar “medidas vinculativas” para assegurar que um único tipo de carregador seja compatível com todos os dispositivos móveis. Poderia ser o micro-USB, o USB-C ou até mesmo o Lightning. Contanto que todos adotem o mesmo, os europeus ficarão satisfeitos.

“Um carregador comum deveria servir em todos os telefones móveis, tablets, leitores de e-book e outros dispositivos portáteis”, diz o texto no site do Parlamento Europeu, que vai começar a discutir o assunto nesta segunda-feira, 13.

Padrão Lightning é proprietário da Apple (Foto: Divulgação)

Do contra

A Apple saiu em defesa do seu conector proprietário e, além do mais, contra a ideia de padronizar os carregadores para todas as marcas. “Mais de 1 bilhão de dispositivos Apple foram enviados usando um conector Lightning, além de todo um ecossistema de fabricantes de acessórios e dispositivos que usam o Lightning para servir nossos consumidores”, disse a empresa, em nota aos parlamentares.

Uma das justificativas a favor da padronização é que, a cada ano, são geradas 51.000 toneladas de lixo eletrônico só de cabos antigos. Na nota, a Apple alerta para a necessidade de uma legislação que tome o cuidado de não obrigar as fabricantes a enviarem cabos extras ou adaptadores.

“Isso poderia resultar em um volume de lixo eletrônico e incomodaria bastante os usuários. Forçar a perturbar esse gigantesco mercado de consumidores terá consequências muito além dos objetivos declarados pela Comissão”, segue a empresa. No entanto, é bom lembrar, a Apple não se mostrou tão preocupada em gerar lixo ou incomodar os usuários quando retirou a entrada de fone de ouvido dos seus dispositivos.

O assunto está em discussão no momento, e será votado em uma sessão parlamentar no futuro. Há legisladores a favor e contra forçar as empresas a adotarem um único padrão para todos os dispositivos, e a aposta é que, no final, seja votada uma abordagem voluntária, em que as fabricantes decidem se utilizam carregadores padronizados ou não. A própria Comissão Europeia acredita que, se for esse o caso, a medida deve ser ignorada pelas empresas.

Fonte: Canaltech

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