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Europa prevê 'espiral descendente' em relações com a Rússia

·3 minuto de leitura

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - As relações entre a União Europeia e a Rússia estão numa "espiral negativa", disse nesta quarta (16) a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao lançar uma estratégia em relação ao país rival.

Segundo o principal responsável pela política externa do bloco europeu, Josep Borrell, a abordagem se baseia em três ações: “fazer recuar, conter e engajar”. O anúncio, que responde a "escolhas políticas deliberadas do governo russo", de acordo com Von der Leyen, foi feito ao mesmo tempo em que os presidentes de Rússia, Vladimir Putin, e Estados Unidos, Joe Biden, desfiavam suas divergências na Suíça.

Segundo os líderes europeus, a situação só deve piorar, com a Rússia procurando minar interesses da UE por meio de guerra cibernética e campanhas de desinformação. O bloco estuda formas de “impor custos” aos que coordenam ataques pela internet, embora a identificação da origem dessas ações não seja fácil.

Segundo Borrell, a possibilidade de uma cooperação em questões políticas ou econômicas “é uma perspectiva distante”. Ele diz acreditar, porém, que na próxima década as políticas ambientais europeias devem mudar a relação de forças com os russos, ao tornar o bloco menos dependente de combustíveis fósseis —a Rússia é a principal fornecedora de gás para a UE e um dos maiores exportadores de petróleo.

Um mix de energia com mais fontes renováveis deixaria a gangorra mais favorável à Europa, principal parceira comercial de Moscou —em 2019, comprou 144 bilhões de euros (R$ 873 bi) em produtos russos. A Rússia, por sua vez, é o quinto maior destino das exportações da UE: 88 bilhões de euros (R$ 533,4 bi).

O relatório —preparado pela Comissão Europeia e pelo Serviço Europeu para a Ação Externa, o equivalente ao Itamaraty— propõe intensificar o combate à corrupção e à lavagem de dinheiro como forma de pressionar a Rússia a respeitar a legislação internacional e os direitos humanos.

Também sugere a criação de medidas de retaliação para impedir Moscou de punir empresas europeias que operam em seu território, além de reformas estruturais e investimentos em países da Europa oriental, diminuindo assim o poder russo sobre essas nações.

Borrell afirmou que, apesar da expectativa pessimista, é preciso tentar uma aproximação com a Rússia em temas como combate ao coronavírus e mudança climática, conflitos no Oriente Médio e no Afeganistão, operações contra o terrorismo e a não proliferação de armas nucleares.

Ele não descartou mais sanções contra instituições e indivíduos russos, mas afirmou que espera não ter que usá-las. “Sanções não são políticas em si, mas instrumentos usados a serviço de políticas e devem ser adotadas só quando forem eficientes e necessárias.”

As posições dos Estados-membros são bem variadas, com os países que fazem fronteira com a Rússia —Polônia, Lituânia, Estônia e Letônia— pedindo ações mais duras, enquanto a Alemanha está perto de inaugurar o gasoduto Nord Stream 2, que leva combustível russo para sua indústria. A França, por sua vez, pede que a Europa demarque mais claramente limites que não tolerará ver ultrapassados.

As relações entre UE e Rússia pioraram muito após a anexação da Crimeia e da cidade de Sebastopol, em 2014, e de ações russas no leste da Ucrânia. O bloco impôs sanções setoriais em finanças, energia e defesa e em algumas áreas de tecnologia e fechou seu mercado para bancos e companhias russas.

O comércio de armas com Moscou é proibido e estão banidas viagens e congelados ativos de 177 pessoas e 48 entidades. Encontros de alto nível e de cooperação permanecem suspensos, à espera de que a Rússia siga o que foi estabelecido no pacto firmado em Minsk, em 2015.

Nos últimos meses, uma nova rodada de sanções foi adotada após o envenenamento do opositor russo Alexei Navalni, além dos ataques contra o ex-espião Sergei Skripal e sua filha, e seis pessoas e duas entidades foram punidas por ligação com ataques cibernéticos.

As relações bilaterais têm atritos também decorrentes de ações da Rússia na Europa oriental, na Síria e na Líbia. Por outro lado, estudantes russos são os principais beneficiários do programa de intercâmbio estudantil Erasmus, e mais de 4 milhões de vistos de entrada a cidadãos russos foram emitidos em 2019.

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