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Europa enfrenta novos desafios no espaço

Por Juliette COLLEN
Nos últimos anos, a Europa se estabeleceu como um importante agente espacial, com o seu pesado lançador de foguetes Ariane 6 e o sistema operacional de GPS Galileo.

Ministros europeus se encontraram nesta quarta-feira (27) na Espanha com o objetivo de defender sua posição no setor espacial contra os desafios representados por Estados Unidos e China, e cada vez mais por empresas como a SpaceX, de Elon Musk.

Os ministros dos 22 Estados-membros da Agência Espacial Europeia (ESA) se reuniram em Sevilha para discutir um pedido de 14,3 bilhões de euros em financiamento, cerca de quatro bilhões de euros a mais que o orçamento de três anos anterior.

A União Europeia já concordou em fornecer 16 bilhões de euros e agora a questão crucial é como gastar esse dinheiro.

"Há o desejo de fazer mais, de ter um programa científico mais ambicioso e de desenvolver nossa infraestrutura para atender a nossas ambições", disse à AFP o porta-voz da ESA, Philippe Willekens, na semana passada.

Em um ambiente que muda rapidamente, "a Europa precisa estar atenta para permanecer líder nos setores em que ela já é e para continuar a conquistar novos mercados", acrescentou Willekens.

Nos últimos anos, a Europa se estabeleceu como um importante agente espacial, com o seu pesado lançador de foguetes Ariane 6 e o sistema operacional de GPS Galileo.

Mas essa posição agora está "ameaçada", diz o 'think-tank' Institut Montaigne em Paris, à medida que a concorrência global aumenta, liderada pelos Estados Unidos e pela China, que investiram enormes quantias de dinheiro nessa indústria, tanto civil como militar.

"A Europa não tem as vantagens estruturais dos americanos e chineses porque não possui um único objetivo compartilhado", disse Isabelle Sourbes-Verger, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS).

"A Europa tem o mesmo problema que sempre teve - o que justifica gastar mais no espaço?"

A Europa precisa responder essas questões em um momento em que novos agentes, como SpaceX e vários outros, em sua maioria americanos, começaram a surgir, sacudindo a indústria.

Nessa evolução do "novo espaço", Musk, por exemplo, desenvolveu lançadores reutilizáveis para satélites muito menores e mais poderosos, muitos projetados para o "mundo conectado" de carros sem motorista e inúmeros outros aspectos da vida cotidiana na Terra.

Alguns especialistas temem que a Europa simplesmente não seja competitiva o suficiente para entrar nesses novos mercados.

O Ariane 6 é um motivo particular de preocupação. Autoridades de auditoria do Estado francês afirmaram recentemente que seu modelo econômico "apresenta alguns riscos", devido à concorrência feroz da SpaceX.

O chefe da Arianespace, Stephane Israel, insiste que o Ariane 6 é "apenas o começo" e o programa de foguetes "abre um ciclo de inovações que precisam ser aceleradas".

Ao mesmo tempo, o Ariane 6, cujo primeiro lançamento está marcado para o próximo ano, não será competitivo a longo prazo, a menos que haja uma alta taxa de lançamentos, que dependerão de "numerosas ordens institucionais", disse.

Israel lembrou de recentes comentários de apoio do presidente francês, Emmanuel Macron, e da chanceler alemã, Angela Merkel, de que a Europa deveria favorecer as opções de lançamento europeias.

Sourbes-Verger, do CNRS, alertou que "o espaço não é uma indústria comercial como qualquer outra - ganhar dinheiro com um lançador é ambicioso".