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Europa avalia melhor momento para taxar produtos americanos

Bryce Baschuk e Jonathan Stearns
·3 minutos de leitura

(Bloomberg) -- A União Europeia conseguiu permissão da Organização Mundial do Comércio para aplicar tarifas sobre US$ 4 bilhões em produtos americanos, mas provavelmente vai segurar a artilharia até depois da eleição presidencial nos EUA em novembro, segundo três autoridades a par do entendimento da UE.

O tamanho da decisão da OMC sobre o auxílio estatal ilegal fornecido pelos EUA à Boeing foi noticiado pela Bloomberg no mês passado. O valor é inferior aos US$ 7,5 bilhões concedidos aos EUA no ano passado em uma disputa paralela contra a rival europeia da Boeing, a Airbus.

A UE elaborou uma lista de produtos americanos sujeitos a taxas. Embora tenha como alvo setores politicamente importantes para o presidente Donald Trump e seus aliados republicanos — incluindo aeronaves, carvão, produtos agrícolas e frutos do mar —, o bloco provavelmente adiará a decisão até depois da eleição, em 3 de novembro, para avaliar a possibilidade de acordo, disseram as fontes, que solicitaram anonimato para revelar o conteúdo de negociações privativas.

Optando pela espera, a união de 27 países pode tentar recomeçar as negociações para um acordo com Trump ou ver se as discussões teriam melhor resultado caso o ex-vice-presidente Joe Biden vença a eleição. Tanto a Boeing quanto a Airbus pediram que as discussões sejam retomadas após a divulgação da decisão.

O comandante da área comercial da UE, Valdis Dombrovskis, afirmou no Twitter que o bloco irá “se reengajar imediatamente com os EUA de forma positiva e construtiva para decidir os próximos passos. Nossa forte preferência é por um acordo negociado. Caso contrário, seremos forçados a defender nossos interesses e responder proporcionalmente”.

Ele já havia revelado anteriormente a dificuldade em negociar com a atual equipe que ocupa a Casa Branca.

“Provavelmente sob um novo governo seria mais fácil porque sabemos que o governo Trump infelizmente está apoiando esta ação unilateral em áreas comerciais, o que tem criado muitas tensões e muitos problemas”, disse Dombrovskis a membros do Parlamento Europeu no início deste mês.

Em comunicado divulgado após a decisão da OMC, o Escritório do Representante Comercial dos EUA afirmou que ainda “não há fundamento legal” para as tarifas da UE sobre produtos americanos e sinalizou que a próxima concessão deve vir de Bruxelas.

“Estamos aguardando uma resposta da UE a uma proposta recente dos EUA e vamos intensificar nossas negociações em curso com a UE para restaurar uma competição justa e a igualdade de condições para esse setor”, afirmou o representante comercial, Robert Lighthizer.

Desde meados de 2018, os EUA impõem tarifas sobre aço e alumínio de origem europeia e ameaçaram cobrar bilhões de dólares em taxas sobre produtos da UE se a França e outras nações do bloco seguirem com planos de arrecadar impostos de empresas digitais como Facebook e Google, pertencente à Alphabet.

A UE sofre pressão de alguns membros para revidar, especialmente de países cujos produtos estão sujeitos às tarifas dos EUA no caso do auxílio à Airbus. A França, que teve suas exportações de vinho atingidas, é um desses países.

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