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Parlamento Europeu encerra capítulo doloroso do Brexit

Clément ZAMPA
·3 minuto de leitura
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Parlamento Europeu

O Parlamento Europeu concluiu nesta terça-feira (27) o doloroso capítulo da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), ao se pronunciar sobre o novo acordo comercial, a última etapa do longo processo.

Ainda que o resultado da votação só seja anunciado na quarta-feira, poucos duvidam de sua aprovação maioritária.

O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, adiantou que esta votação significava a aprovação "do acordo mais ambicioso da UE com um terceiro país até esta data".

"Espero que o texto seja aprovado por maioria de pelo menos três quartos", afirmou o social-democrata alemão Bernd Lange.

Trata-se de uma votação no limite, já que o acordo sobre as futuras relações comerciais entre a UE e o Reino Unido, firmado em dezembro, só foi aplicado provisoriamente e seu último prazo expira na sexta-feira.

O Reino Unido, que já ratificou o acordo, descarta autorizar uma nova prorrogação da aplicação provisória.

Os debates duraram cinco horas e resultaram em uma votação secreta e eletrônica. O resultado será acompanhado por uma resolução parlamentar não vinculativa na qual os eurodeputados descrevem o Brexit como um "erro histórico".

Este documento destaca que o Parlamento Europeu deve estar plenamente associado às futuras negociações com Londres para a administração do acordo pós-Brexit.

Este dia de definição chega em meio a ameaças da França sobre a adoção de "medidas de reciprocidade" aos serviços financeiros britânicos e não se aplica de imediato a parte do acordo referente aos direitos de pesca.

- Digno de confiança-

As relações já foram profundamente afetadas pela decisão britânica de abandonar o mercado único, oficial desde 31 de janeiro de 2020, mas que se tornou efetiva apenas no início de 2021.

No âmbito comercial, as exportações europeias para o Reino Unido caíram 20,2%, enquanto as importações britânicas da UE diminuíram 47% nos dois primeiros meses de 2021, segundo a agência Eurostat.

Além disso, há uma crise de confiança entre os dois sócios, após várias decisões de Downing Street que colocam em dúvida o acordo anterior com a a UE, o tratado do Brexit de 2019, que organiza o divórcio.

"Em muitas ocasiões, Londres adotou posições que vão contra nossos interesses comuns e isto não ajudou a trabalhar em um clima de serenidade", declarou à AFP o eurodeputado luxemburguês Christophe Hansen (PPE, direita).

"Agora é importante que Boris Johnson cumpra suas promessas e demonstre que é digno de confiança", completou, ao mencionar o primeiro-ministro britânico.

Os europeus criticam especialmente Londres por violar o protocolo irlandês do tratado do Brexit ao adiar certos controles alfandegários e sanitários na Irlanda do Norte.

Os controles deveriam acontecer entre esta província britânica e o restante do Reino Unido, para evitar o retorno de uma fronteira na ilha da Irlanda.

Em sua mensagem aos eurodeputados, Von der Leyen garantiu que a UE "não hesitará" em utilizar contra o Reino Unido as medidas unilaterais de correção previstas no acordo, caso sejam necessárias.

- Lenha na fogueira -

Em protesto contra o gesto britânico na Irlanda, os eurodeputados atrasaram o prazo máximo para fixar uma data para dar luz verde ao acordo comercial.

"O governo britânico não deve interpretar [a votação de terça-feira] como um sinal de que estamos baixando a guarda", advertiu o deputado social-democrata austríaco Andreas Schieder.

Desde o acesso efetivo dos pescadores europeus às águas britânicas ao lugar dos serviços financeiros da City no mercado único, vários pontos de atrito entre Londres e Bruxelas continuam sem solução.

A recente disputa sobre atrasos no fornecimento de vacinas AstraZeneca para o continente, enquanto o Reino Unido se abastecia a tempo, acrescentou lenha à fogueira.

"A UE quer claramente encerrar este capítulo infeliz" do Brexit "e relegar a relação UE-Reino Unido a uma questão de terceira ordem, de preferência tratada por comitês técnicos", disse Fabian Zuleeg, diretor-gerente do centro de estudos European Policy Centre.

zap/fmi/pc/zm/ahg/fp/jc/mvv