Euro cai ante dólar com relatório da OCDE

O euro caiu ante o dólar nesta terça-feira, em meio ao ceticismo com o acordo sobre a dívida da Grécia anunciado mais cedo pelos credores oficiais do país. Um relatório negativo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre a zona do euro e a economia global como um tudo também colaborou para a onda de aversão ao risco, levando os investidores a comprar dólar.

No fim da tarde em Nova York, o euro estava cotado a US$ 1,2942, de 1,2972 no fim da tarde da segunda-feira. O dólar estava em 82,15 ienes, de 82,08 ienes na véspera. A libra esterlina operava a US$ 1,6017, de US$ 1,6025 na segunda-feira. E o índice Wall Street Journal Dollar, que pesa a moeda norte-americana ante um grupo de principais rivais, estava em 70,398 pontos, de 70,277 pontos.

Segundo a OCDE, assumindo que os piores riscos para a economia global não se concretizem, o Produto Interno Bruto (PIB) combinado de seus 34 países membros deve crescer 1,4% no próximo ano e 2,3% em 2014. Em maio, a previsão de crescimento da organização foi de 1,6% e 2,2%, respectivamente.

Enquanto isso, o líder da maioria no Senado dos EUA, o democrata Harry Reid, disse que houve "pouco progresso" nas negociações para a resolução do "abismo fiscal" - uma série de cortes de gastos e aumentos de impostos automáticos que entrarão em vigor no começo do ano que vem caso não haja acordo no Congresso. Reid e a Casa Branca buscam um aumento do teto da dívida como parte do acordo. Mas o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, negou que as negociações tenham chegado a um impasse. Segundo ele, qualquer afirmação de que as conversas tenham "desanimado" é "errada".

"O dólar se fortaleceu ante o euro principalmente em função do foco no 'abismo fiscal' e nós achamos que isso vai continuar até o fim do ano", afirma Darren Nelson, estrategista de câmbio da GPS Capital Markets. Segundo ele, indicadores econômicos positivos nos EUA também ajudaram o dólar.

Na Europa, após quase 13 horas de reunião, os credores oficiais da Grécia chegaram nesta madrugada a um acordo para reduzir a dívida do país ao nível sustentável de 110% do PIB até 2022. Esse acordo inclui uma extensão dos vencimentos dos empréstimos internacionais, um corte nas taxas de juros que o governo grego está pagando sobre os empréstimos e uma recompra de dívida.

Porém, uma das questões mais importantes para a Grécia, que é o recebimento da próxima parcela de ajuda internacional, continuou sem resposta. O acordo abriu caminho para que a Grécia receba 43,7 bilhões de euros - 34,4 bilhões de euros em dezembro e o restante durante o primeiro trimestre de 2013. No entanto, o Eurogrupo alertou que isso dependerá da implementação pela Grécia das determinações da troica, incluindo a realização de uma reforma fiscal até janeiro.

Após superar US$ 1,30 pela primeira vez em novembro durante a sessão asiática, o euro não conseguiu manter os ganhos na sessão europeia e tocou a mínima intraday de US$ 1,2916. "O que nós concluímos é que isso (o acordo sobre a dívida da Grécia) é outra tentativa de empurrar a questão com a barriga, porque essas medidas dificilmente serão suficientes para resolver os problemas gregos", comenta Thomas Kressin, diretor de estratégia cambial da Pimco em Munique. As informações são da Dow Jones.

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