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EUA vivem segunda noite de violência após morte de homem negro em ação policial

·3 minuto de leitura
Foto: AP Photo/Michael Perez
Foto: AP Photo/Michael Perez

A cidade da Filadélfia teve na terça-feira a segunda noite de manifestações, marcada por detenções, confrontos violentos e saques, um dia depois da morte de um homem negro por um policial, o que ameaça reativar os protestos antirracistas a uma semana das eleições presidenciais nos Estados Unidos.

A polícia advertiu no Twitter que mil pessoas saquearam lojas nos bairros de Castor e Aramingo e recomendou aos moradores a "evitar a área".

Em West Philadelfia, a polícia agrediu dezenas de manifestantes.

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O governador da Pensilvânia, Tom Wolf, anunciou a mobilização de centenas de soldados da Guardia Nacional na cidade para "proteger o direito de reunião e o protesto pacífico, mantendo as pessoas a salvo".

A violência explodiu depois que a polícia matou na segunda-feira um homem de 27 anos identificado como Walter Wallace Jr., que tinha problemas de saúde mental de acordo com sua família. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que Wallace recebeu vários tiros de dois policiais para os quais não representava uma ameaça iminente.

"Há muita confusão sobre por quê a polícia matou o jovem", disse Ezra Alidow, um artista de 25 anos, na terça-feira.

"Está acontecendo em todo o país, dá medo", completou.

A polícia anunciou 90 detenções durante a primeira noite de distúrbios e saques esporádicos na segunda-feira, assim como o balanço de 30 agentes feridos, incluindo um que quebrou a perna ao ser atropelado por um caminhão.

"Para hoje e esta noite, antecipamos a probabilidade de incidentes adicionais de desordem", afirmou a comissária de polícia da Filadélfia, Danielle Outlaw.

"Por isso vamos adotar medidas adicionais para garantir a ordem, incluindo aumentar a presença policial em pontos chaves e mobilizar as unidades de combate ao saque", completou.

Uma onda de protestos antirracistas, que em alguns casos terminam em episódios de violência, tomou conta dos Estados Unidos desde a morte de George Floyd, um homem negro assassinado por um policial branco no fim de maio.

Muitos manifestantes acusam a polícia de racismo e brutalidade, mas o presidente Donald Trump aproveitou os distúrbios para apresentar seu nome como o candidato da "lei e ordem" em sua disputa com o democrata Joe Biden nas eleições de 3 de novembro.

"Estamos monitorando a situação de perto. Estamos prontos para mobilizar recursos federais, se necessário. O presidente Trump não tolerará a violência contra as forças de segurança dos Estados Unidos", declarou Alyssa Farah, diretora de comunicação da Casa Branca.

Biden e sua candidata a vice, Kamala Harris, afirmaram em um comunicado que seus corações estão "partidos" pela família de Wallace.

Mas também pediram aos manifestantes que protestem pacificamente.

"Nenhuma quantidade de raiva diante das muitas e reais injustiças em nossa sociedade é desculpa para a violência", afirmaram.

"Saquear não é protestar, é um crime", completaram Biden e Harris.

De acordo com a imprensa local, dois agentes abriram fogo contra Wallace por volta das 16H00 de segunda-feira no bairro de West Philadelphia, depois que ele se negou a soltar uma faca, enquanto sua mãe tentava contê-lo.

Um vídeo publicado nas redes sociais mostra Wallace empurrando a mãe e depois caminhando em direção aos policiais.

"Abaixe a faca", grita um dos policiais no vídeo, que afasta as imagens quando os policiais atiram.

O pai de Wallace, também chamado Walter Wallace, disse que o filho parece ter recebido 10 tiros, segundo o jornal Philadelphia Inquirer.

Ele afirmou que a vítima tinha problemas psicológicos e estava em tratamento. "Por quê não usaram uma Taser?", questionou referindo-se a uma pistola de corrente elétrica.

"Sua mãe estava tentando acalmar a situação", acrescentou.

Outlaw iniciou uma investigação e disse que o vídeo "gera muitas perguntas".

Na semana passada, um policial de Waukean, ao norte de Chicago, matou um jovem de 19 anos ao abrir fogo contra seu veículo. A companheira do jovem ficou ferida.

"Quando vai acabar, Estados Unidos?", perguntou o advogado Ben Crumps na terça-feira.

"Quantos negros mais têm que morrer pela brutalidade policial, a força excessiva, o preconceito, o racismo sistemático ou indiferença deliberada?".

***Por Thomas Urbain, da AFP