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EUA sanciona pessoas e empresas no México por laços com a Venezuela

O presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, 13 de março de 2020 em Caracas

Os Estados Unidos sancionaram nesta quinta-feira três pessoas e empresas sediadas no México, acusadas de participar de uma rede para tentar evitar sanções contra a Venezuela impostas por Washington para pressionar pelo fim do governo de Nicolás Maduro, uma medida que Caracas rejeitou e prometeu apresentar às organizações internacionais.

O Departamento do Tesouro informou que o ex-vice-presidente e atual ministro do petróleo venezuelano, Tareck El Aissami, acusado de narcotráfico pela justiça americana, foi quem organizou a "rede de facilitadores" para orquestrar "esquemas opacos" para negociar a revenda de petróleo e obter benefícios.

Por integrar essa rede, três pessoas residentes no México, Joaquín Leal Jiménez, Olga María Zepeda Esparza e Verónica Esparza García, assim como as entidades Libre Abordo e Schlager Business Group e outras sob seu controle, foram incluídas na lista de sanções do Gabinete de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac).

"O regime ilegítimo de Maduro continua roubando recursos venezuelanos para reforçar seu controle autoritário sobre o povo", disse o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo.

"Essa medida é outro aviso de que qualquer pessoa ou empresa que facilite esse roubo não terá mais acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos", acrescentou.

Desde janeiro de 2019, os Estados Unidos lideram uma campanha internacional para remover Maduro do poder, cuja reeleição em maio de 2018 consideram fraudulenta e a quem atribui corrupção generalizada e graves violações dos direitos humanos, além do desastre econômico da antiga potência do petróleo.

Mas, apesar de uma bateria de medidas punitivas e uma recompensa de um milhão de dólares por informações que levem à sua captura, Maduro permanece no poder com o apoio particular da Rússia e da China.

De Caracas, o governo de Maduro questionou as novas medidas e anunciou que entrará em ação em fóruns internacionais.

"Washington continua a promover um cerco contra a Venezuela. Alega que não podemos exportar petróleo para que o povo venezuelano fique sem comida, remédios, gasolina", escreveu no Twitter o ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza.

"O sistema multilateral da ONU deve reagir. Vamos levar esse caso ao Tribunal Penal Internacional", acrescentou.

Na segunda-feira, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, disse que seu governo poderia vender gasolina à Venezuela por razões humanitárias, apesar da pressão dos Estados Unidos sobre quem negocia com o país sul-americano.

- A conexão Saab -

O Tesouro disse que as três pessoas sancionadas e o empresário colombiano Alex Saab, preso em 12 de junho em Cabo Verde acusado pelos Estados Unidos de lavagem de dinheiro, colaboraram com o governo de Maduro e a estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), para contornar as restrições americanas e gerar renda com o petróleo venezuelano.

O mexicano Joaquín Leal Jiménez é acusado de cooperar com a Saab, considerada "figura de proa" de Maduro pela oposição venezuelana, para realizar essas vendas no programa "petróleo por alimentos", que segundo o Tesouro nunca resultou em entregas de alimentos para a Venezuela.

"Saab e Leal, em colaboração com as empresas mexicanas Libre Abordo e Schlager Business Group, negociaram a revenda de mais de 30 milhões de barris de petróleo bruto em nome da PDVSA, aproximadamente 40% das exportações de petróleo da PDVSA em abril de 2020", informaram autoridades americanas.

Eles acrescentaram que, embora ambas as empresas afirmassem ter contratos com o governo Maduro para enviar milho e água para a Venezuela, isso foi alcançado apenas parcialmente a "preços muito inflacionados" e "não coincide com a quantidade de petróleo bruto PDVSA que foi revendido pela Libre Abordo e Schlager Business Group, avaliado em mais de 300 milhões dólares".

A mexicana Olga María Zepeda Esparza e sua mãe, Verónica Esparza García, também foram sancionadas por dirigir ou controlar essas empresas.

As sanções abrangem um total de oito entidades estrangeiras e dois navios, um com a bandeira do Panamá e o outro com a bandeira da Libéria.