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EUA quer mais cooperação com África para contrabalançar influência chinesa

·2 min de leitura
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, em Abuja, Nigéria, em 19 de novembro de 2021 (AFP/Andrew Harnik)

O presidente americano, Joe Biden, pretende organizar uma cúpula com líderes africanos para mostrar seu compromisso com o continente, no momento em que a China atua para aumentar sua influência nesta região - anunciou seu secretário de Estado, Antony Blinken, nesta sexta-feira (19).

Segundo informou Blinken, em Abuja, capital da Nigéria, os Estados Unidos querem "deixar de tratar a África como sujeito de geopolítica e passar a tratá-la como o grande ator geopolítico que se tornou".

Blinken não deu detalhes sobre quando essa futura cúpula será realizada. Ele viaja por vários países africanos, pouco antes de a China organizar um encontro de alto perfil com líderes africanos no Senegal.

Durante seu discurso em Abuja, Blinken não mencionou a China, mas insistiu que os acordos com outras nações podem ser "sem transparência, coercitivos, aprisionar países em dívidas inimagináveis, destruir o meio ambiente e não beneficiar os habitantes".

“Nossa forma de atuar será duradoura, transparente e regida por valores”, garantiu.

Blinken reconheceu, porém, que a desconfiança dos países africanos em relação a esse tipo de discurso tem sua razão de ser.

“Muitas vezes, os países africanos foram tratados como parceiros menores, e até inferiores, e não como parceiros iguais”, reconheceu.

“Sabemos que séculos de colonialismo, escravidão e exploração deixaram legados dolorosos que ainda perduram”, acrescentou.

- "Dar opções" -

Blinken insistiu que os Estados Unidos não querem que os países africanos sejam pressionados a concordar. “Quero ser claro: os Estados Unidos não querem impor limites em seus acordos de cooperação com outros países”, disse. "Queremos dar-lhes opções."

Blinken, que também viajará ao Quênia, prometeu cooperar com a região em áreas como o combate à covid-19 e as mudanças climáticas.

Nos últimos anos, a China tem investido fortemente no continente africano, principalmente em infraestrutura e na exploração de suas matérias-primas (ouro e madeira).

Para o governo Biden, a China é um dos principais desafios dos Estados Unidos, devido ao seu crescimento explosivo e à sua crescente presença no cenário internacional.

Nesta sexta-feira, de Abuja, o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, acusou Pequim de ameaçar "a paz e estabilidade regional" na Ásia e causar uma escalada das tensões com as Filipinas.

Na quinta-feria, as Filipinas acusaram na os navios da Guarda Costeira chinesa de lançar canhões de água contra seus navios que abasteciam militares filipinos no disputado Mar do Sul da China.

Para marcar o rompimento com seu antecessor Donald Trump, Biden definiu novas prioridades que incluem não só a África, mas também a defesa da democracia.

Em dezembro, o presidente dos Estados Unidos organizará uma cúpula virtual sobre o tema em resposta à ascensão de líderes autoritários em todo o mundo.

"O declínio da democracia não é apenas um problema africano, é um problema global. Meu próprio país está lutando contra ameaças à nossa democracia. E as soluções para essas ameaças virão tanto da África quanto de outros lugares", disse Blinken na Nigéria.

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