Mercado fechado
  • BOVESPA

    121.113,93
    +413,26 (+0,34%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    48.726,98
    +212,88 (+0,44%)
     
  • PETROLEO CRU

    63,07
    -0,39 (-0,61%)
     
  • OURO

    1.777,30
    +10,50 (+0,59%)
     
  • BTC-USD

    61.572,79
    -1.824,26 (-2,88%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.398,97
    +7,26 (+0,52%)
     
  • S&P500

    4.185,47
    +15,05 (+0,36%)
     
  • DOW JONES

    34.200,67
    +164,68 (+0,48%)
     
  • FTSE

    7.019,53
    +36,03 (+0,52%)
     
  • HANG SENG

    28.969,71
    +176,57 (+0,61%)
     
  • NIKKEI

    29.683,37
    +40,68 (+0,14%)
     
  • NASDAQ

    14.024,00
    +10,00 (+0,07%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,6872
    -0,0339 (-0,50%)
     

EUA pressionaram Brasil para não comprar vacina russa Sputnik V: 'Combater influências malignas nas Américas'

Redação Notícias
·4 minuto de leitura
Boxes loaded with the Russian Sputnik V COVID-19 vaccine arrive at Tunis airport, Tuesday, March 9, 2021. Tunisia is also awaiting the arrival of the first lot of the Chinese vaccine Sinovac as well as the Pfizer and Astrozeneca vaccines (AP Photo/Hassene Dridi)
A informação consta em um documento do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS, na sigla em inglês) sobre as ações tomadas em 2020 e chegou ao conhecimento público nesta segunda-feira (15) (Foto: AP Photo/Hassene Dridi)

Um relatório do governo dos Estados Unidos produzido na gestão do ex-presidente Donald Trump diz que o país persuadiu o Brasil a não comprar a Sputnik V, vacina russa contra o coronavírus desenvolvido pelo Instituto Gamaleya. Em um dos trechos do documento é possível ler que se fazia necessário "combater as influências malignas nas Américas".

A informação consta em um documento do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS, na sigla em inglês) sobre as ações tomadas em 2020 e chegou ao conhecimento público nesta segunda-feira (15). 

Leia também:

A pasta é responsável pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) e pela FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos), órgão regulador similar à Anvisa no Brasil.

No documento, há ainda um trecho apontando que o Escritório de Assuntos Globais do HHS "usou as relações diplomáticas na região para mitigar os esforços" de Cuba, Venezuela e Rússia, "que estão trabalhando para aumentar sua influência na região em detrimento da segurança dos Estados Unidos".

Há no relatório dois exemplos da coordenação com outras agências governamentais dos EUA para "fortalecer os laços diplomáticos e oferecer assistência técnica e humanitária para dissuadir os países da região de aceitar ajuda desses estados mal-intencionados".

O primeiro deles diz que o uso do escritório do adido de saúde da OGA (Escritório de Assuntos Globais) para persuadir o Brasil a rejeitar a vacina russa contra Covid-19. Já o segundo, fala sobre a oferta de assistência técnica do CDC para o Panamá não aceitar uma oferta de médicos cubanos.

Este conteúdo não está disponível devido às suas preferências de privacidade.
Para vê-los, atualize suas configurações aqui.

No twitter, a conta responsável pela vacina russa repudiou a atitute. "O Departamento de Saúde dos Estados Unidos confirmou publicamente que pressionou o Brasil contra a Sputnik V" e criticou o governo americano. "Os países devem trabalhar juntos para salvar vidas. Os esforços para minar as vacinas são antiéticos e custam vidas."

Procurados, o Itamaraty, o Departamento de Estado americano e o HHS, ainda não resposderam até a publicação desta reportagem.

SPUTNIK V

A Sputnik V, vacina russa contra o coronavírus, surgiu no cenário internacional com desconfiança por parte do mundo ocidental. Isso aconteceu especialmente pela falta de estudos científicos publicados a respeito do imunizante desenvolvido pelo Instituto Gamaleya.

Mesmo assim, a Rússia começou a aplicar as doses no país. Angelo Segrillo, historiador da Universidade de São Paulo e autor do livro “Os Russos”, explica que a Rússia mudou a legislação para conseguir desenvolver o imunizante em tempo recorde.

“Se editou uma lei especial na Rússia que permitia, que, em casos emergenciais ou de pandemia, vacinas poderiam ser criadas e usadas apenas com a fase 2 de estudos em vez das 3 fases usuais, o que criou esta polêmica internacional se a vacina estava pronta realmente ou não para ser usada internacionalmente”, explica.

O cenário mudou após a publicação de um estudo a respeito da vacina na conhecida revista The Lancet, atestando que a Sputnik V tem eficácia de 91,6%. Segrillo afirma que, mesmo antes, a vacina já se havia provado eficaz.

COMPRA DA VACINA

O Brasil também entrou no grupo dos países que negociam a compra da Sputnik V. Na última sexta-feira (12), o Ministério da Saúde assinou o contrato para compra de 10 milhões de doses da vacina russa.

Segundo cronograma previsto pela pasta, serão inicialmente 400 mil doses entregues ao governo federal até o final de abril; 2 milhões no fim de maio e 7,6 milhões de doses em junho. A vacina será desenvolvida pela farmacêutica brasileira União Química.

Na opinião de Angelo Segrillo, a medida é positiva. “Neste momento emergencial de pandemia não se deve discriminar vacinas pela origem geográfica”, avalia.

A negociação do governo federal é com a União Química, que produzirá a vacina russa no Brasil. Ferraro entende que a iniciativa do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) é uma forma de rivalizar com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

“Bolsonaro age com foco nas eleições de 2022. A Sputnik V pode ser uma estratégia de promover uma solução alternativa à CoronaVac, fomentada pelo governador João Dória”, aponta.