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EUA precisam melhorar adaptação à mudança climática, diz estudo

Eric Roston

(Bloomberg) -- Os Estados Unidos levaram muito tempo para decidir que a adaptação às mudanças climáticas era uma ideia que valia a pena explorar. Mas o país demorou pouco para começar a se adaptar de maneira errada, segundo um estudo.

As decisões sobre projetos e infraestrutura não estão sendo tomadas com base no que é eficaz ou sensato a longo prazo. E, como costuma ser o caso, os cidadãos de menor renda sofrem o impacto de políticas equivocadas. Essa é a conclusão sugerida por uma pesquisa publicada na semana passada na revista “Ocean and Coastal Management”.

O flanco leste da Carolina do Norte, delimitado por uma fina linha de ilhas que funcionam como barreiras, registra um aumento do nível do oceano a uma taxa quase quatro vezes mais rápida do que a média global. A costa abriga uma combinação de áreas militares e industriais, além de terras protegidas pelo governo federal. Possui cidades e campos, juntamente com uma variedade de níveis de renda e dados demográficos. A combinação transforma o estado em instrumento útil para a adaptação costeira.

Mesmo que o ritmo das mudanças climáticas se acelere, planejadores e gestores de emergência em todo o país ainda têm tempo para tomar decisões acertadas. “Idealmente, você gostaria que um líder se sentasse e dissesse: ‘Devemos construir um muro? Devemos recuar? Considere todas as opções”, disse A.R. Siders, professor assistente do Centro de Pesquisa de Desastres da Universidade de Delaware e principal autor do estudo sobre como a Carolina do Norte tem abordado o problema. “Mas isso não é realmente o que acontece.”

A pesquisa constata que os projetos de adaptação “beneficiam desproporcionalmente os ricos e aumentam a vulnerabilidade de comunidades pobres e historicamente marginalizadas”.

Um pouco do que descobriram sobre riqueza e adaptação havia sido previsto: bases tributárias incentivam os governos locais a defender bolsões de riqueza contra os estragos da mudança climática.

Na sequência de um desastre, os governos correm para financiar paredões ou realocar pessoas, sem discussões mais amplas sobre estratégia e opções, disse Siders. Debates mais profundos sobre adaptação em larga escala geralmente não ocorrem. Isso pode levar a medidas e gastos ineficientes. Os pesquisadores não encontraram nenhuma correlação entre o tipo de infraestrutura em terra e o tipo de proteção escolhido por uma comunidade.

Historicamente, a Carolina do Norte tem feito “o melhor possível” na gestão costeira, de modo que a situação “deve ser pior em outros lugares”, disse o coautor do estudo, Jesse Keenan. Apenas os gestores costeiros da Califórnia superam os da Carolina do Norte, disse.

Com o aumento dos custos econômicos das mudanças climáticas, a lição para o resto dos EUA é clara, escrevem os autores. Independentemente se autoridades supervisionam cidades à beira-mar ou comunidades fluviais propensas a inundações no interior, a tomada de decisões com base em práticas burocráticas e tradicionais pode resultar em desperdício de recursos públicos, deixando residentes vulneráveis expostos.

Para entrar em contato com o repórter: Eric Roston em Nova York, eroston@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Joshua Petri, jpetri4@bloomberg.net, David Rovella, Daniela Milanese

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