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EUA: pedidos de seguro-desemprego avançam, com 885.000 novas demandas

·3 minuto de leitura
O Capitólio, em Washington, em 7 de novembro de 2020

O número de pessoas que solicitaram seguro-desemprego pela primeira vez nos Estados Unidos subiu esta semana para 885.000, um resultado que indica que as demissões continuam ante o avanço da pandemia de covid-19 no país - apontam dados oficiais divulgados nesta quinta-feira (17).

"Na semana encerrada em 12 de dezembro, os dados ajustados às variações sazonais chegaram a 885.000, um aumento de 23.000 na comparação com os dados da semana anterior, que foram revisados", indicou o Departamento do Trabalho.

Esta é uma má notícia para os analistas, que esperavam uma queda para 795.000 novos pedidos.

Segundo dados oficiais, agora a média das últimas quatro semanas se situa em 812.500 novos pedidos de seguro-desemprego, um aumento de 34.250 em relação aos dados revisados da semana anterior.

Os números antecipam um inverno rigoroso para o mercado de trabalho, duramente atingido pela covid-19, que já causou mais de 300 mil mortes nos Estados Unidos.

"Os dados mais recentes indicam uma tendência de deterioração do mercado de trabalho", disse a consultora Rubeela Farooqi, economista-chefe para os Estados Unidos da consultoria HFE.

Apesar de a campanha de vacinação no país ter começado esta semana, os números diários de contágios mostram um avanço desordenado do vírus, que ameaça a atividade econômica com mais restrições, em um período crucial para o comércio com as festas de fim de ano.

Farooqi disse que é provável que a crise de saúde se deteriore depois das festas, o que vai se traduzir em restrições mais amplas da atividade, em fechamentos de negócios e em mais perda de emprego.

Na quarta-feira, o país registrou números recordes com 3.700 mortes e 250.000 novos casos nas últimas 24 horas.

"Embora a esperança esteja no horizonte com a chegada da vacina, neste momento, o mercado de trabalho continua sob forte pressão, à medida que os casos aumentam, e são postas em prática as restrições às atividades", afirmou a consultoria Oxford Economics.

Esses números são preocupantes na medida em que podem ser o precursor de uma paralisação da economia americana, que, após uma forte contração no segundo trimestre, registrou uma recuperação no terceiro.

A taxa de desemprego de 6,7% ainda era o dobro da anterior à pandemia, mas os números melhoraram desde abril, quando o número de desempregados atingiu o pico de 14,8%.

- Pressão sobre o Congresso -

Nesse contexto, o Congresso está sob pressão para aprovar um novo pacote de ajuda para empresas e trabalhadores.

Sem acordo, depois do Natal, milhões de desempregados perderão os auxílios, que faziam parte de um plano aprovado a partir de abril, de US$ 2,7 bilhões.

Embora democratas e republicanos tenham sinalizado um avanço nas negociações, ainda há pontos de atrito para levar adiante o plano que deve incluir uma extensão do seguro-desemprego, subsídio para a distribuição da vacina e assistência a pequenos negócios ameaçados pela crise.

Os democratas, que controlam a Câmara de Representantes, e os republicanos, que dominam o Senado, não chegaram a um consenso sobre a quantia envolvida em um novo pacote e para onde a ajuda deve ser direcionada.

Na quarta-feira à noite, a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, e o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schummer, conversaram com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e concordaram em continuar as negociações nesta quinta-feira.

O presidente republicano Donald Trump - que convocou o Congresso a agir - tuitou que as negociações estão no caminho certo.

an/gma/fp/tt/bn