EUA: Fed estende estímulo e adota "gatilhos"

O Federal Reserve anunciou nesta quarta-feira a extensão de seu programa de compra de bônus, dando continuidade ao seu esforço de revitalizar o mercado de trabalho e impulsionar a recuperação econômica em 2013. Além disso, o Fed mudou sua estratégia de comunicação ao especificar os níveis de desemprego e inflação que poderão motivá-lo a começar a elevação da taxa de juros, que atualmente é zero.

Em sua última reunião do ano, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed anunciou que vai "inicialmente" comprar US$ 45 bilhões em treasuries de longo prazo por mês. O mais recente estímulo do banco vai substituir o programa conhecido como Operação Twist, em que o Fed comprava bônus de longo prazo no valor de US$ 45 bilhões a cada mês e vendia cerca da mesma quantidade de treasuries de curto prazo. O novo programa de compra de bônus vai ampliar o tamanho do portfólio de ativos do banco central, que atingiu US$ 2,861 trilhões na semana passada.

Dos 12 membros votantes do Fed, 11 votaram a favor da continuação das compras de US$ 40 bilhões por mês em bônus hipotecários até que o mercado de trabalho melhore "substancialmente". Apesar de a taxa de desemprego ter caído para 7,7% em novembro, as autoridades do Fed permanecem preocupadas com a saúde desse mercado.

No total, o Fed irá comprar US$ 85 bilhões em bônus a cada mês em um esforço para diminuir as taxas de juros de longo prazo para facilitar financiamentos e impulsionar gastos e investimentos. A maturidade média dos treasuries que o Fed comprará será de nove anos, semelhante à da Operação Twist.

Ao comprar treasuries sob o novo programa, o banco central vai aumentar as reservas do sistema bancário - efetivamente emitindo mais dinheiro. Críticos dos programas do Fed se preocupam com a possibilidade de geração de inflação, apesar das autoridades do banco afirmarem que têm ferramentas para gerir as reservas e prevenir a inflação quando a economia começar a melhorar.

O Fed informou que a economia norte-americana continua a crescer em "ritmo moderado" e reconheceu que a taxa de desemprego tem caído desde o meio do ano, mas que continua elevada. O banco registrou também que a inflação tem permanecido "um pouco abaixo" da meta de 2%.

As autoridades do Fed optaram por manter a taxa de juros próxima a zero, onde ela tem permanecido desde o fim de 2008. Eles afirmaram que a expectativa é de que as taxas de juros permaneçam muito baixas enquanto a taxa de desemprego continuar acima de 6,5%.

"Para determinar por quanto tempo manter a política monetária acomodatícia, o Fomc vai considerar também outras informações", informou o comunicado do Fed, o que inclui o mercado de trabalho, a inflação e os acontecimentos financeiros.

O presidente do Federal Reserve de Richmond, Jeffrey Lacker, votou contra a ação do Fomc por "se opor ao programa de compra de ativos e à caracterização das condições sob as quais será apropriado manter a baixa taxa de juros". Lacker foi o dissidente em todas as oito reuniões do Fed este ano.

Membros do Fomc esperam que aumento nos juros seja evitado pelo menos até 2015 - A maioria dos membros do Fomc continua a esperar que a autoridade monetária tenha de elevar os juros somente em 2015, em uma projeção que é consistente com a nova política de "gatilhos numéricos" anunciada hoje.

Os membros do Fed também reduziram levemente sua projeção coletiva para o crescimento econômico, enquanto reduziram as previsões para a taxa de desemprego e a inflação, na comparação com as estimativas feitas em setembro.

Na questão da política monetária, 14 dos 19 membros do Fomc agora acreditam que o primeiro aumento nos juros acontecerá em 2015 ou depois. Dois acreditam que o Fed vai elevar os juros em 2013. Nas previsões feitas em fevereiro, 12 membros do Fomc esperavam um aumento nos juros em 2015 e um via isso acontecendo em 2016.

As projeções são parte da perspectiva oficial do Fomc para o crescimento, o desemprego e a inflação. A tendência central das previsões é baseada na respostas dos 19 membros do Fomc, descartando a reposta mais alta e também a mais baixa.

A projeção do Fed para a inflação e o desemprego ganhou importância após o banco central estabelecer hoje "gatilhos numéricos", informando os fatores que o levariam a alterar a política monetária. Insatisfeito com a alternativa de prever alterações com base em datas do calendário, o Fomc adotou esses "gatilhos". As informações são da Dow Jones.

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