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EUA e México concordam em trabalhar economicamente para conter migração

·3 minuto de leitura

Os Estados Unidos e o México concordaram nesta quinta-feira em trabalhar para fortalecer as cadeias de abastecimento e promover investimentos que permitam conter a migração irregular, ao reativarem o Diálogo Econômico de Alto Nível (DEAN), mecanismo bilateral interrompido durante a era Trump.

Os dois países se comprometeram a melhorar o fluxo de dados transfronteiriços, bem como a construir uma força de trabalho mais inclusiva e competitiva, e integrar as pequenas e médias empresas às cadeias de valor regionais, segundo comunicados emitidos por ambos os governos.

A primeira reunião do DEAN desde 2016, realizada de forma presencial em Washington, foi acertada em março entre o presidente Joe Biden e o colega mexicano, Andrés Manuel López Obrador, para relançar o encontro anual iniciado em 2013, mas abandonado durante o governo Trump.

“A estabilidade econômica do México é do interesse dos Estados Unidos”, afirmou a vice-presidente americana, Kamala Harris, definindo o vizinho como “um parceiro estratégico”, ao receber a delegação mexicana no edifício Eisenhower, vizinho à Casa Branca.

“Juntos, fortaleceremos a capacidade de recuperação das cadeias de abastecimento e modernizaremos a infraestrutura”, garantiu Kamala, após alertar para os desafios impostos pela pandemia e pelas mudanças climáticas. “Investiremos em capacidades de desenvolvimento inclusivo e verde e criaremos empregos para as pessoas do sul do México e da América Central”, prometeu.

“Este diálogo é sobre a visão de futuro, a visão comum da região e as iniciativas que podemos promover a curto prazo para construir esse futuro”, assinalou o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard.

- Quatro pilares -

A reunião aconteceu após a visita de Kamala ao México em junho, que teve foco na migração irregular para a fronteira com os Estados Unidos, um dos principais temas da agenda bilateral.

O DEAN "promove a melhoria da criação de empregos, a competitividade global e a redução da pobreza e das desigualdades, o que beneficia tanto os cidadãos norte-americanos quanto os mexicanos", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, ao fim da reunião.

Quatro pilares marcaram o encontro: em primeiro lugar, reconstruir juntos, que visa à resiliência nas cadeias de abastecimento e à infraestrutura de fronteiriça. Em segundo lugar, promover o desenvolvimento econômico e social sustentável no sul do México e na América Central, para enfrentar as causas estruturais do êxodo para o norte.

Também foi proposto garantir as ferramentas para a prosperidade, especialmente para mitigar as ameaças cibernéticas; e investir nas pessoas visando a uma economia mais igualitária.

“Teremos uma competição cada vez maior em nível global; os Estados Unidos definiram quatro áreas estratégicas prioritárias; o México irá participar delas por vontade própria, e teremos um crescimento acelerado dos investimentos em nosso país. Essencialmente disso se tratou o diálogo de hoje”, declarou Marcelo Ebrard em entrevista coletiva, acrescentando que em novembro será revisado o cumprimento das metas acordadas.

- Investimento, vistos e carta -

Ebrard disse ainda que entregou ao colega Antony Blinken uma carta de López Obrador dirigida a Biden com duas propostas para a América Central e o sul do México: investir na região e conceder mais vistos de trabalho, para que haja uma via legal para a imigração.

A questão migratória esteve sobre a mesa, mas, segundo Ebrard, não foi discutida a decisão recente da Suprema Corte dos EUA de ordenar a reativação do programa "Fique no México", que obriga os solicitantes de asilo a aguardarem em território mexicano sua convocação aos tribunais.

A secretária de Comércio dos Estados Unidos, Gina Raimondo, e a de Economia do México, Tatiana Clouthier, destacaram a importância do DEAN em termos de aumento da competitividade em nível mundial. “O DEAN será complementar ao T-MEC, uma vez que ajudará a criar as condições adequadas para fortalecer ainda mais a nossa integração econômica”, disse Tatiana sobre o tratado em vigor desde julho de 2020.

ad/lm/lb

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