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EUA e França alertam Irã sobre acordo nuclar

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Antony Blinken e Jean-Yves Le Drian

Estados Unidos e França advertiram o Irã, nesta sexta-feira (25), de que o tempo está se esgotando para retornar a um acordo sobre seu programa nuclear, ao que o Teerã respondeu que cabe a eles tomar uma "decisão".

Na primeira visita de alto nível a Paris da administração do presidente Joe Biden, o secretário de Estado, Antony Blinken, e seus anfitriões franceses deram boas-vindas a um novo espírito de cooperação, após quatro anos de turbulência sob Donald Trump.

Ressaltaram, no entanto, que uma promessa importante de Biden - voltar ao acordo de 2015 sobre o pacto nuclear iraniano - está em risco, se o regime iraniano não fizer concessões durante as negociações em curso em Viena.

"Chegará um momento em que, sim, será difícil voltar aos padrões" do acordo, declarou Blinken a repórteres.

"Não chegamos a esse ponto - não posso estabelecer uma data -, mas é algo de que estamos cientes", acrescentou.

Blinken alertou que, se o Irã "continuar a operar centrífugas cada vez mais sofisticadas" e a aumentar o enriquecimento de urânio, isso irá acelerar o tempo de "ruptura", quando estará próximo da capacidade de desenvolver uma bomba nuclear.

O secretário americano garantiu, porém, que Biden ainda apoia um retorno ao acordo, sob o qual o Irã reduziu drasticamente seu programa nuclear até que Trump se retirou em 2018 e impôs sanções à economia iraniana.

"Temos interesse nacional em tentar colocar o problema nuclear de volta na caixa em que estava", apontou Blinken.

- Silêncio do Irã -

A França - que como Grã-Bretanha, Alemanha, Rússia e China se manteve no acordo de 2015, apesar da pressão de Trump - também aumentou o tom para que o Irã volte a cumprir seus compromissos.

"Esperamos que as autoridades iranianas tomem as decisões finais, sem dúvida difíceis, que permitirão a conclusão das negociações", declarou o ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, em entrevista coletiva conjunta com Blinken.

No entanto, Teerã respondeu que a decisão final cabe às grandes potências.

"São as partes opostas que devem tomar as decisões", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Saeed Khatibzadeh, em nota.

A tensão aumentou nesta sexta-feira após a expiração do acordo temporário entre a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e Teerã sobre as inspeções nucleares.

O diretor-geral da agência, Rafael Grossi, escreveu às autoridades iranianas sobre a questão mas não obteve resposta.

O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano disse que tomaria "uma decisão sobre o assunto em sua primeira reunião" após o fim do prazo, informou o site da televisão estatal do país na quarta-feira.

As negociações para retomar o acordo internacional de 2015 foram paralisadas em parte por causa da insistência do Irã em que todas as sanções sejam suspensas.

O governo Biden afirma que está disposto a suspender as medidas econômicas relacionadas ao programa nuclear, conforme previsto no pacto, mas que manterá outras sanções, principalmente àquelas relacionadas aos direitos humanos.

Alguns especialistas acreditam que o Irã estava esperando a eleição de Ebrahim Raisi, cuja abordagem linha-dura é apoiada pelo guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei, o principal árbitro da política externa da República Islâmica.

Analistas estimam que o Irã poderia chegar a um acordo antes de Raisi assumir o cargo em agosto, deixando-lhe o crédito pelo esperado impulso econômico, mas culpando o atual presidente Hassan Rohani, um moderado que defendia uma melhor relação com o Ocidente, se a situação piorar.

Blinken está em uma turnê pela Europa que já o levou à Alemanha e continuará na Itália, logo após a visita de Biden ao Velho Continente.

Quanto aos pontos críticos de importância estratégica para os franceses, Blinken também prometeu solidariedade na luta contra o extremismo no Sahel e uma frente única no Líbano.

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