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Biden anuncia que EUA doarão 500 milhões de doses de vacinas extras a países mais pobres

·3 minuto de leitura
Foto: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP via Getty Images
Foto: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP via Getty Images
  • EUA anunciam ajuda a países pobres que estão sem vacinas contra Covid-19

  • No total, país deve doar mais de um bilhão de imunizantes contra a doença

  • Estima-se que seis bilhões de doses de vacinas foram aplicadas no mundo

O governo dos Estados Unidos vai comprar e distribuir aos países com menos recursos 500 milhões de doses suplementares da vacina anticovid-19 da Pfizer - anunciou o presidente Joe Biden ao inaugurar, nesta quarta-feira (22), uma cúpula com a qual busca marcar o "início do fim da pandemia".

"Os Estados Unidos serão o arsenal de vacinas, assim como fomos o arsenal da democracia na Segunda Guerra Mundial", disse o presidente.

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A promessa de Biden na cúpula, realizada virtualmente na Casa Branca, elevará para mais de 1,1 bilhão a doação total de doses.

"Para cada dose que administramos neste país até agora, estamos doando três doses para outros países", disse.

Pfizer e BioNTech afirmaram em um comunicado conjunto que essas doses, fabricadas nos Estados Unidos, serão distribuídas para 92 países em desenvolvimento identificados pelo mecanismo internacional Covax.

A gigante da farmácia e o laboratório alemão também informaram que as 1 bilhão de vacinas fornecidas aos Estados Unidos, a preço de custo, devem ser totalmente distribuídas até agosto de 2022.

Biden também quer estabelecer um "objetivo ambicioso" para que cada país, incluindo os mais pobres, "alcance 70% de sua população vacinada" dentro de um ano, disse a Casa Branca.

O encontro de cúpula desta quarta-feira reuniu, de maneira virtual, funcionários de mais de 100 países, informaram mais cedo fontes do governo americano. Não foram divulgados detalhes sobre os participantes.

A meta do presidente americano parece ambiciosa. Mais de 6 bilhões de doses de vacinas contra a covid foram aplicadas no mundo, segundo uma contagem feita pela AFP nesta quarta-feira com base em dados oficiais. Esse número, no entanto, esconde imensas desigualdades.

Segundo os dados da AFP, cerca de 55% da população dos Estados Unidos está completamente vacinada. Na França e nos Emirados Árabes Unidos, esse número supera os 70% e 80%, respectivamente.

Mas em Camarões, por exemplo, apenas 1,4% da população recebeu ao menos a primeira dose. No Haiti, esse numero não passa de 0,35%.

De acordo com o OurWorldInData, 43,5% da população mundial recebeu ao menos uma dose da vacina.

Com menos recursos, países sofrem para ampliar vacinação

Frasco com doses da vacina contra a covid-19 da Pfizer (AFP/Frederic J. BROWN)
Frasco com doses da vacina contra a covid-19 da Pfizer (AFP/Frederic J. BROWN)

Impulsionado pelo ritmo de vacinação nos países desenvolvidos, este número esconde, porém, imensas desigualdades. Há países com menos recursos, nos quais apenas 2% da população recebeu ao menos uma dose da vacina contra o coronavírus.

"Esta reunião tem como ambição decretar o início do fim da pandemia", de acordo com fontes americanas. "Isto vai exigir muito trabalho", completaram.

A pandemia de covid-19 provocou mais de 4,7 milhões de mortes no mundo desde o fim de dezembro de 2019, conforme balanço da AFP feito com base em números oficiais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta, no entanto, que, se o excesso de mortalidade direta e indiretamente ligada à covid-19 for levada em consideração, o balanço da pandemia pode ser de duas a três vezes maior do que este total.

A OMS faz um apelo para que os países ricos distribuam mais vacinas às populações vulneráveis nos países mais pobres, antes da aplicação de doses de reforço em seus próprios cidadãos - algo contemplado pelo governo Biden.

O presidente democrata, que repete que os "Estados Unidos estão de volta", pretende fazer do país o líder no combate internacional contra a pandemia.

Ele precisa, porém, lutar contra as dúvidas - em alguns casos agressivas - que a vacinação provoca entre seus próprios cidadãos.

A covid-19 provocou mais mortes de americanos do que a gripe espanhola em 1918 e 1919, de acordo com dados publicados na segunda-feira (20) pela Universidade Johns Hopkins, uma referência no tema.

Mais de 678.000 pessoas infectadas com o novo coronavírus morreram nos Estados Unidos, de acordo com o balanço.

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