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EUA dizem que Bolsonaro 'foi construtivo', mas credibilidade se apoiará 'em planos sólidos'

MARINA DIAS
·3 minuto de leitura

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O discurso de Jair Bolsonaro na Cúpula de Líderes sobre o Clima, nesta quinta-feira (22), foi visto como "positivo" e "construtivo" pelo governo americano, mas auxiliares de Joe Biden dizem que a credibilidade do presidente brasileiro se apoiará em "planos sólidos." "O presidente Bolsonaro deu um tom positivo e construtivo no seu discurso na cúpula", disse um porta-voz do Departamento de Estado americano, ressaltando que é "justo" perguntar como os países vão atingir objetivos tão ambiciosos. "Nossa credibilidade se apoiará em planos sólidos, na execução do trabalho e em um foco implacável nos resultados." Durante sua apresentação cúpula, Bolsonaro fez uma fala que causou no mínimo estranhamento para quem observa a política ambiental considerada negligente de seu governo. O presidente brasileiro afirmou ter determinado a duplicação dos recursos destinados às ações de fiscalização ambiental no Brasil, comprometeu-se a alcançar a neutralidade climática até 2050 -dez anos antes da meta estabelecida anteriormente- e repetiu a promessa de acabar com o desmatamento ilegal até 2030. Os americanos ainda cobram, nos bastidores, que o discurso seja refletido em ações práticas e que resultados tangíveis sejam vistos ainda neste ano, mas celebraram o que consideram uma moderação ao menos retórica do brasileiro. "Alcançar a neutralidade de carbono até 2050, dez anos antes do compromisso anterior e sem pré-condições, é significativo, assim como seu compromisso de dobrar os fundos disponíveis para fiscalização, um passo crucial para eliminar o desmatamento ilegal até 2030", disse o porta-voz do Departamento de Estado. A visão otimista é vantajosa para Biden, que tenta se consolidar como líder na reconfiguração da geopolítica mundial, ditada pelo clima, em que o Brasil é um personagem-chave. Conseguir um comprometimento de Bolsonaro era considerado pela Casa Branca uma vitória, apesar de os americanos esperarem um cronograma mais detalhado sobre como o Brasil vai atingir suas metas, o que não apareceu no discurso elaborado no Planalto. Orientado pela ala mais moderada do Itamaraty, o presidente brasileiro não deixou de pedir dinheiro aos países estrangeiros para ajudar na proteção das florestas, mas não exigiu recursos antecipados, como queria o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente), o que também foi visto de forma positiva pelos americanos. Diplomatas do governo Biden não gostavam da postura considerada chantagista do ministro, que chegou a pedir US$ 1 bilhão para se comprometer com a redução de até 40% do desmate da Amazônia no próximo ano. Após a fala de Bolsonaro, os americanos disseram que "alcançar metas ambiciosas requer recursos" e que "os EUA estão comprometidos com a parceria com os brasileiros nesses esforços." "Esperamos continuar trabalhando junto com o Brasil para expandir nosso diálogo e cooperação, com base em nossas décadas de cooperação em desafios ambientais compartilhados", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado. "Estamos satisfeitos que o presidente Bolsonaro tenha reconhecido o importante papel do setor privado em nos ajudar a encontrar soluções. Concordamos com sua ênfase no envolvimento necessário dos povos indígenas e comunidades tradicionais na proteção das florestas em pé e da biodiversidade, e com seu reconhecimento do importante papel do setor privado em nos ajudar a encontrar soluções", completou.