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Trump anuncia acordo preliminar 'muito substancial' entre EUA e China

Por Douglas Gillison
Secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin (d), cumprimenta vice-primeiro-ministro da China, Liu He, em Washington em 10 de outubro de 2019

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira um acordo comercial preliminar com a China, que cobre propriedade intelectual, serviços financeiros e moeda.

Com o acordo, a Casa Branca suspendeu o enorme aumento de tarifas sobre US$ 250 bilhões em produtos chineses previsto para a próxima terça-feira, disse o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin.

"Chegamos a um acordo preliminar muito substancial", disse Trump à imprensa após se reunir com Liu He, negociador-chefe chinês.

"Havia muitos atritos com os Estados Unidos, mas agora é o amor", declarou Trump, citando o impacto "sobre a paz no mundo" que terá o acordo entre as duas maiores economias do planeta.

Segundo Trump, essa primeira fase inclui a propriedade intelectual e a taxa de câmbio e disse que esperava assinar o acordo nas próximas semanas com o presidente chinês, Xi Jinping.

O presidente americano destacou o aumento substancial das compras agrícolas por parte da China, que beneficiarão diretamente parte do seu eleitorado. Trump tentará a reeleição em 2020.

Em troca, Pequim obteve de Trump o cancelamento do aumento de tarifas sobre 250 bilhões em exportações chinesas para os EUA, que entrariam em vigor na terça-feira.

Trump não descarta firmar um documento com o líder chinês, Xi Jinping, no Chile, em novembro, à margem da cúpula dos países do Pacífico.

Outras duas fases, de contornos muito difusos, poderão completar este acordo.

Mnuchin declarou que "temos um acordo fundamental em pontos-chave, fizemos muitos progressos, mas ainda falta trabalho. Não firmaremos um acordo até que possamos dizer ao presidente que tudo está definido no papel".

O negociador chinês avaliou que houve um "progresso substancial em muitos campos". "Estamos contentes", disse Liu He, afirmando que as negociações vão continuar.

O acordo foi um progresso após uma semana em que os dois governos pareciam ter chegado a um beco sem saída. Washington atacou Pequim por questões políticas relacionadas a direitos humanos e perseguição étnica em Xinpiang.

Embora talvez não tenha sido tão amplo, o acordo é uma espécie de bálsamo para Trump, cujo mandato é perseguido pela ameaça de um julgamento de impeachment.

Trump também enfrenta críticas entre os republicados e os democratas por permitir uma intervenção turca contra seus aliados cursos no nordeste da Síria.

Wall Street operou em alta durante todo o dia devido ao otimismo que emanava de Washington.

Desde que o conflito com a China começou no ano passado, vários momento de aparente aproximação não deram em nada e levaram a uma deterioração nas relações entre Washington e Pequim.

Enquanto isso, durante a noite, as autoridades do mercado chinês lançaram um calendário para eliminar os limites da participação estrangeira em empresas chinesas em 2020. Isso não apenas reduzirá as barreiras ao capital estrangeiro, mas também seduzirá os investidores no momento em que a economia da China cresce menos.

- Mais que tarifas -

O Departamento do Tesouro descreveu a China como um país manipulador de moedas em agosto e acusou Pequim de operar o yuan para tirar vantagens comerciais injustas.

Até agora, a China se recusou a fazer as mudanças profundas que Trump exige, porque acredita que isso poderia causar problemas no Partido Comunista no poder.

O China Daily, jornal do Partido Comunista, disse na sexta-feira em um editorial que um acordo parcial "é objetivamente mais viável e pode ser do interesse de ambas as partes".

Enquanto isso, o governo Trump continua a examinar mecanismos para manter a pressão sobre Pequim além da aplicação de tarifas.

Washington acusa a China de tentar dominar a economia mundial por meio de intervenções estatais gigantescas nos mercados, roubo de propriedade intelectual, pirataria e subsídios. Essas acusações são compartilhadas pela Europa e pelo Japão.

Larry Kudlow, consultor econômico da Casa Branca, disse nesta semana que Washington pode aumentar a vigilância sobre empresas chinesas que operam nos Estados Unidos.