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EUA deve ter evitado uma recessão por pouco no segundo trimestre

(Bloomberg) -- A economia dos EUA pode ter conseguido um crescimento modesto no segundo trimestre e evitado uma recessão técnica, mas em um ritmo moderado o suficiente para alimentar as preocupações de uma contração mais para frente.

Os economistas estimam que o PIB do país teve um crescimento anualizado de 0,4% no período, uma melhora em relação à queda de 1,6% no primeiro trimestre. No entanto, a composição do PIB do segundo trimestre pode mostrar uma desaceleração mais preocupante da demanda.

O declínio no primeiro trimestre resultou em grande parte de um aumento nas importações e um ritmo de consumo mais moderado. Enquanto uma redução do déficit comercial no segundo trimestre provavelmente impulsionou o PIB, os gastos do consumidor provavelmente se desaceleraram ainda mais.

Investimentos empresariais menores, um mercado imobiliário mais fraco e um ritmo mais lento de crescimento de estoques também podem ter afetado o PIB do segundo trimestre.

“Uma coisa que estamos observando é a rapidez com que a atividade subjacente está desacelerando”, disse Andrew Hollenhorst, economista-chefe para EUA no Citigroup. “Os economistas podem debater o que é uma recessão, mas no final das contas, se as empresas e os indivíduos acreditam que há uma recessão, é assim que eles se comportarão.”

A economia pode ter crescido apenas o suficiente para evitar a chamada recessão técnica - definida como dois trimestres consecutivos de contração econômica - mas as previsões dos economistas variam muito. Aproximadamente um terço deles disseram que o PIB caiu, segundo a pesquisa da Bloomberg em que as estimativas variam de uma queda de 2,1% a um avanço de 2%.

Mesmo que o relatório de quinta-feira mostre que o PIB cresceu, aumentam os temores de que a inflação alta e um Federal Reserve determinado a contê-la acabarão por levar a economia a uma recessão. O Fed embarcou na campanha de aperto mais agressiva desde a década de 1980 e deve aumentar as taxas de juros em mais 0,75 ponto percentual nesta quarta-feira.

Veja o que observar no relatório do PIB:

Gasto do consumidor

Os gastos do consumidor, o principal motor da economia dos EUA, serão a parte mais importante do relatório para muitos. Economistas projetam que os gastos desaceleraram ainda mais no segundo trimestre para uma taxa anualizada de 1,2%. Gastos ajustados à inflação caíram em maio contra o mês anterior e as despesas de junho devem ter ficado estáveis.

Economistas previam há muito tempo uma mudança nas compras de bens para serviços, mas não está claro até que ponto os gastos com serviços podem se manter firmes diante da disparada de preços.

Investimento

O exemplo mais claro do impacto dos aumentos de juros do Fed está no mercado imobiliário, algo que deve ficar claro no relatório de PIB de quinta-feira. O custo mais alto de financiamento imobiliário sufocou a demanda, aumentando o estoque e levando alguns compradores a desistir de negócios.

Michael Feroli, economista-chefe para EUA no JPMorgan, espera que o investimento das famílias tenha caído a uma taxa anualizado de 13,5% no segundo trimestre. Esse seria o declínio mais acentuado desde o início da pandemia. Ao mesmo tempo, espera-se que o ritmo do investimento empresarial esfrie significativamente.

Estoques e comércio exterior

Um crescimento mais lento nos estoques em comparação com os primeiros três meses do ano deve ser um enorme obstáculo para o crescimento do segundo trimestre.

Mas as exportações líquidas devem ajudar o crescimento pela primeira vez em dois anos. As exportações provavelmente aumentaram no segundo trimestre - depois de cair no primeiro trimestre - enquanto as importações subiram em um ritmo mais lento, disse Feroli.

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