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EUA avança para primeira queda na venda de carros desde 2009

Por Luc OLINGA
Foto de 27 de outubro de 2017 mostra linha de montagem dos modelos 2018 do utilitário Ford Expedition na fábrica da automotiva em Louisville, Kentucky

Os fabricantes de carros nos Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (3) uma queda nas vendas em 2017, que representaria a primeira redução na demanda desde as quebras da GM e da Chrysler em 2009.

Principal fabricante americana, a General Motors (GM) vendeu pouco mais de três milhões de veículos novos em 2017, o que significa uma redução de 1,3%. A Ford teve redução de 1,1%, a 2,57 milhões de veículos.

A Fiat Chrysler não divulgou seus dados anuais.

A Toyota, segunda fabricante mundial e terceira no mercado americano, vendeu 2,43 milhões de veículos novos (-0,6%).

Dezembro confirmou uma tendência observada em todo o ano de 2017: demanda aquecida por carros grandes (picapes, utilitários e crossovers) e um esfriamento na de modelos urbanos e sedãs.

A Ford ilustra essa tendência. As vendas de seu Ford Fusion caíram 21,2%, enquanto os modelos da família F-Series, que inclui a popular picape F-150, tiveram seu melhor ano desde 2005, com vendas em alta de 9,3%.

Somadas todas as fábricas, as vendas chegaram a 17,2 milhões de veículos, o que representa uma diminuição de 2% com relação a 2016.

Esta seria a primeira queda anual de vendas desde a crise financeira que levou à quebra a GM e a Chrysler há oito anos.

A gigante alemã Volskwagen (VW) pareceu se recuperar dos escândalos e suas vendas subiram 5,2% no ano, a 339.676 unidades.

As vendas não parecem ter sofrido muito com a decisão do presidente Donald Trump de negociar o Tratado de Livre Comércio da Américas do Norte (Nafta), com Canadá e México. O pacto facilita aos fabricantes se instalarem no México, onde a mão de obra é mais barata.

Para 2018, o panorama se anuncia contrastado.

De acordo com especialistas, as vendas devem ser afetadas pelo aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.

Um aumento de 0,25% nas taxas se traduz tradicionalmente em um aumento entre 8 e 20 dólares nas cotas de quem comprar o carro a crédito, avaliou Ivan Drury, da empresa de análise Edmunds.com.

Esse aumento das taxas, transferido às mensalidades, pode fazer o consumidor pensar duas vezes antes de comprar um carro novo. Na melhor das hipóteses, os consumidores vão abrir mão de acessórios, que são lucrativos para os fabricantes, como por exemplo o rádio via satélite ou jogos.