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EUA aumenta tarifas punitivas sobre aviões da Airbus

Por Julie JAMMOT, avec Erwan LUCAS à Paris
Logo da Airbus

Os Estados Unidos anunciaram na sexta-feira à noite que aumentariam para 15% as tarifas alfandegárias impostas aos aviões da Airbus importados da Europa, mantendo inalterados os impostos que penalizam outros setores nos dois lados do Atlântico.

Neste sábado, a fabricante europeia de aeronaves reagiu a uma decisão que "lamenta profundamente" e que "cria mais instabilidade para as companhias aéreas americanas, que já sofrem com a falta de aeronaves", principalmente em razão da proibição de voo que atinge o 737 MAX da sua concorrente Boeing.

"Tomamos nota do anúncio dos Estados Unidos", disse uma porta-voz do ministério da Economia alemão, contactada pela AFP. "Nossa posição é clara: rejeitamos qualquer aumento unilateral nos impostos alfandegários, que são prejudiciais a todos, inclusive aos Estados Unidos".

Os ministros europeus, que têm várias reuniões agendadas para segunda-feira em Bruxelas, podem aproveitar a oportunidade para expressar uma posição comum sobre o assunto.

Desde outubro, em retaliação aos subsídios à fabricante europeia Airbus, o governo americano impõe tarifas alfandegárias punitivas de 25% sobre 7,5 bilhões de dólares em produtos importados (incluindo vinho, queijo, café e azeitona). Até agora, os aviões eram tributados em 10%. O novo aumento será válido a partir de 18 de março.

Além do conflito entre a Airbus e a Boeing através de seus Estados, há importantes tensões comerciais entre Washington e Bruxelas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utiliza esses impostos como uma ferramenta de negociação.

Após meses de guerra comercial com a China, com tarifas punitivas recíprocas, ele exclamou: "nossa estratégia valeu a pena!", depois que os dois países assinaram um acordo em meados de janeiro.

Sua atenção agora está focada na Europa. Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciaram no final de janeiro, após uma reunião em Davos (Suíça), seu desejo de relançar as discussões e concluir um acordo nas próximas semanas.

Mas, no momento, as negociações não foram bem-sucedidas e as relações permanecem tensas, já que Trump voltou a ameaçar tributar as importações de carros europeus.

Na segunda-feira, disse que era hora de negociar "muito a sério" um acordo comercial com a União Européia.

Ele quer que os países membros da UE abram mais seus mercados aos produtos americanos, especialmente produtos agrícolas.

Em outubro, após 15 anos de batalha legal, a Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou Washington a adotar sanções recordes, julgando que a fabricante aeronáutica europeia havia realmente se beneficiado de subsídios indevidos.

Em um processo espelhado, espera-se que a OMC autorize a UE a impor taxas alfandegárias na primavera, como resposta a subsídios indevidos pagos pelo governo americano à Boeing.