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EUA aproveitou pandemia para endurecer bloqueio a Cuba, denuncia chanceler cubano

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O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, fala em entrevista coletiva para denunciar a intensificação do bloqueio dos Estados Unidos, apesar da pandemia de coronavírus Covid-19, em Havana, em 22 de outubro de 2020
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, fala em entrevista coletiva para denunciar a intensificação do bloqueio dos Estados Unidos, apesar da pandemia de coronavírus Covid-19, em Havana, em 22 de outubro de 2020

Cuba denunciou nesta quinta-feira (22) os Estados Unidos por aproveitarem a pandemia do novo coronavírus para intensificar de "maneira extrema" seu bloqueio a Cuba, cujos danos superaram pela primeira vez os 5 bilhões de dólares em um ano. 

"Os Estados Unidos têm intensificado de maneira extrema e sem precedentes o bloqueio a Cuba, se aproveitando das terríveis condições da pandemia de covid-19", sustentou o chanceler Bruno Rodríguez.

Ele indicou que este bloqueio, vigente desde 1962, tem sido endurecido por Donald Trump e "a crueldade de sua aplicação em meio às condições de uma pandemia como ocorreu e ocorre neste momento é inédita".

Rodríguez garantiu que Washington impediu a chegada de material e equipamentos médicos à ilha.

Com 11,2 milhões de habitantes, Cuba tem conseguido controlar a covid-19 devido, segundo seu chanceler, à "fortaleza de seu sistema de saúde". 

Até esta quinta-feira, foram reportados 6.421 casos, 128 mortos e 5.871 recuperados.

Ao apresentar à imprensa o relatório anual de Cuba para as Nações Unidas sobre os efeitos do bloqueio, Rodríguez assinalou que entre abril de 2019 e março de 2020 "tem causado perdas a Cuba da ordem de 5,57 bilhões de dólares".

"É a primeira vez que os danos do bloqueio ultrapassam a cifra de 5 bilhões de dólares em um ano", garantiu.

O relatório será apresentado como resolução na Assembleia Geral da ONU em maio de 2021, e se espera que seja aprovado pela maioria.

Na votação de 2019, 187 países respaldaram a resolução, três votaram contra e dois se abstiveram.

Cuba acompanha com atenção as eleições presidenciais norte-americanas de 3 de novembro, depositando suas esperanças em uma derrota de Trump para o democrata Joe Biden.

Em 2016, sob a administração do democrata Barack Obama, os Estados Unidos e Cuba restabeleceram as relações diplomáticas e celebraram uma inédita aproximação após meio século de forte hostilidade.

Mas "ganhe quem ganhar as eleições nos Estados Unidos, terá que enfrentar a realidade tangível de que o bloqueio e a política norte-americana prejudicam o povo cubano, as famílias e aos cubanos residentes no exterior, violam os direitos humanos, dificultam a comunicação, as viagens, os vistos e a reunificação familiar", disse Rodríguez.

Além disso, "os danos acumulados durante quase seis décadas alcançam, calculados em preços atuais, a cifra descomunal de 144,413 bilhões de dólares, o que para uma economia pequena como a de Cuba é uma carga verdadeiramente opressora".

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