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EUA alertam sobre 'riscos crescentes' para suas empresas em Hong Kong

·3 minuto de leitura
A lei de segurança nacional abalou as bases jurídicas de Hong Kong, segundo os advogados

Os Estados Unidos alertaram seus empresários nesta sexta-feira (16) sobre os "riscos crescentes" de operar em Hong Kong, um importante centro financeiro internacional, devido às restrições impostas pela China.

Também impôs sanções a sete autoridades chinesas de Hong Kong após indicar que Pequim deve pagar um preço por impor uma dura lei de segurança à ex-colônia britânica, que voltou para a China em 1997.

"Pequim minou a reputação de Hong Kong como um governo responsável e transparente que respeita as liberdades individuais e quebrou sua promessa de manter o alto grau de autonomia de Hong Kong inalterado por 50 anos", disse o secretário de Estado Antony Blinken, em um comunicado.

"Hoje enviamos uma mensagem clara de que os Estados Unidos apoiam fortemente os habitantes de Hong Kong", acrescentou.

Em uma esperada advertência, o governo Joe Biden alerta para o aumento dos riscos - derivados da lei de segurança - que "podem afetar negativamente as empresas e pessoas que operam em Hong Kong".

A lei, que proíbe a subversão e outros crimes contra o Estado, foi imposta em junho de 2020, após protestos massivos exigindo a preservação dos direitos fundamentais prometidos à cidade antes de seu retorno à China.

As empresas "devem estar cientes dos possíveis riscos de reputação, regulatórios, financeiros e, em certos casos, legais associados às suas operações em Hong Kong", indicou.

O aviso reconhece que Hong Kong "mantém muitas distinções econômicas" do continente, incluindo proteções de propriedade intelectual mais rígidas.

Mas destacou a mudança de clima provocada pela nova lei de segurança nacional, incluindo a prisão do cidadão americano John Clancey, um renomado advogado de direitos humanos.

Sob a nova lei, dezenas de pessoas foram acusadas, incluindo o magnata da mídia Jimmy Lai, ex-legisladores e ativistas pró-democracia.

- Novas sanções -

O governo americano também apontou o aumento dos riscos à privacidade de dados, assim como a falta de transparência e acesso às informações, destacando o fechamento do jornal Apple Daily.

Indicou ainda que as empresas correm maior risco de serem atingidas pelas sanções americanas dirigidas aos bancos, em particular se trabalharem com a polícia chinesa ou outras instituições consideradas cúmplices das restrições da autonomia de Hong Kong.

Nas sanções da sexta-feira, Blinken relatou o bloqueio de interesses ou propriedades nos Estados Unidos de sete subdiretores do Escritório de Ligação, que representa Pequim no antigo território britânico.

Washington, cujas relações com a China deterioraram drasticamente nos últimos anos, já havia imposto sanções a altos funcionários, incluindo a presidente-executiva de Hong Kong, Carrie Lam.

Xia Baolong, diretor do Escritório chinês para assuntos de Hong Kong e Macau, disse que as sanções "vão apenas despertar nossa raiva".

Seria como "levantar uma pedra para deixá-la cair pesadamente sobre os próprios pés. A história provou inúmeras vezes que a vitória deve pertencer ao indomável povo chinês!", disse Xia em um discurso.

Em um comunicado após o alerta americano, o gabinete do comissário do Ministério das Relações Exteriores da China em Hong Kong disse que os Estados Unidos estão tentando "enganar" empresas internacionais.

"Os visionários do mundo não serão enganados pelos truques americanos e tomarão a decisão certa", afirmou.

Hong Kong emergiu como um dos principais centros comerciais do mundo, graças às suas leis favoráveis aos negócios, ao respeito pelo estado de direito e à proximidade com o vasto mercado chinês.

Mas, desde a imposição da nova lei de segurança, um número crescente de empresas internacionais anunciou planos de deixar ou reduzir seu quadro de funcionários em Hong Kong.

sct/ft/mls/dga/yow/gm/ap

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