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Estudos sugerem que vapes não são mais saudáveis que cigarros tradicionais

Fidel Forato

Os debates sobre o uso dos e-cigs continuam a todo vapor, inclusive discutindo se e como esses aparelhos devem ser legislados. Até porque as últimas pesquisas contradizem os argumentos da indústria dos vapes, que alegam ter produtos menos prejudiciais à saúde do que cigarros comuns. Pelo menos foi o que apontaram diferentes estudos feitos pela Universidade de Rochester e pela Universidade da Califórnia, ambas norte-americanas.

Com resultados mais polêmicos, o estudo feito em três anos pela Universidade da Califórnia mostra que os cigarros eletrônicos estão associados a um risco mais alto no desenvolvimento de doenças pulmonares como asma, bronquite e enfisema, além, é claro, da EVALI — lesão pulmonar associada ao uso de vapes — e de riscos imprevisíveis associados aos cartuchos contaminados, popularmente chamados de juices.

"O que descobrimos é que, para os usuários de cigarros eletrônicos, as chances de desenvolver doenças pulmonares aumentam em cerca de um terço, mesmo após o controle do uso de tabaco e de informações clínicas e demográficas", afirma o autor do estudo e professor da universidade, Stanton Glantz, em comunicado. "Concluímos que os cigarros eletrônicos são prejudiciais por conta própria e os efeitos são independentes do fumo do tabaco convencional".

Sem poder alegar que e-cigs são mais saudáveis que cigarros comuns, os pesquisadores de São Francisco descobriram que a atividade de maior risco era combinar os cigarros tradicionais aos vapes. Isso porque essa combinação expõe os usuários aos riscos de ambas as atividades, multiplicando as chances de problemas pulmonares, já que alguns riscos para a saúde de seus são diferentes.

Assim, a pesquisa da Califórnia desmente a tese de que a versão eletrônica faz menos mal. "Este estudo contribui para o crescente caso de que os cigarros eletrônicos têm efeitos adversos em longo prazo na saúde e estão piorando a epidemia do tabaco", explica Glantz.

Estudos sugerem que vapes aumentam em 30% as chances de se desenvolver doenças pulmonares (Foto: Divulgação/ Anvisa)

Outro problema está nos sabores

Já o estudo pulicado pela Universidade de Rochester aponta outro problema para o uso dos vapes: os seus cartuchos com sabores. Nesses casos, os produtos que geram aquele “gostinho bom” trazem efeitos prejudiciais ao tecido pulmonar, incluindo inflamação e danos genéticos que podem desencadear riscos em longo prazo de doenças respiratórias e até mesmo cânceres.

"Enquanto nomes como manga, pepino e hortelã dão a impressão de que os sabores dos cartuchos eletrônicos são benignos, a realidade é que essas sensações são derivadas de produtos químicos", argumenta o PhD Irfan Rahman, professor da Universidade de Rochester e principal autor do estudo.

Segundo o pesquisador americano, "essas descobertas indicam que a exposição a esses produtos químicos provoca danos e disfunções nos pulmões, que são precursores de consequências [negativas] para a saúde em longo prazo.”

Isso, porque além do propilenoglicol e da glicerina vegetal — que formam a base do produto ao lado da nicotina —, a maioria dos fabricantes dos cartuchos de vapes não divulga os compostos químicos usados ​​no desenvolvimento dos juices.

Ainda no estudo da Universidade de Rochester, o grupo de pesquisadores conseguiu identificar quase 40 produtos químicos diferentes presentes em várias combinações em sete sabores fabricados pela marca JUUL. Entre esses compostos, algumas das substâncias eram de uso industrial e conhecidas por ser nocivas quando inaladas.

Vale lembrar que a JUUL é justamente a empresa que responde por mais de 70% de todas as vendas de cigarros eletrônicos nos EUA, e interrompeu as vendas da maioria de seus cartuchos com sabores em alguns estados americanos, incluindo Nova York. Só que essa é apenas uma ponta do iceberg, já que muitas outras produtoras e lojas independentes continuam a fabricar e vender seus produtos.

Como chegaram a essas conclusões?

No estudo feito pela Universidade de Rochester, em laboratório, os pesquisadores colocaram em contato com o tecido pulmonar humano o vapor, em aerossol, dos cartuchos com sabor. Nesses tecidos, estavam inclusas as células dos brônquios, que desempenham um papel importante na troca de gases, e os monócitos, que são células de combate à infecções do sistema imunológico.

Na análise, o grupo observou que os produtos químicos foram responsáveis por inflamações e que degradaram as células do tecido. Isso eleva as chances de lesões pulmonares graves e doenças respiratórias. Essa exposição também alterou o DNA das células, fato que, por sua vez, é um potencial precursor do câncer.

"A tecnologia dos vapes existe há pouco tempo e seu uso, principalmente entre os mais jovens, explodiu apenas recentemente", explica Rahman. "Este estudo fornece mais evidências de que o vaping — embora menos nocivo que o tabaco em curto prazo — está colocando os usuários crônicos no caminho de desenvolver problemas de saúde significativos mais tarde".


Fonte: Canaltech

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