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Estudos mostram crescimento dos males psíquicos causados pelo estresse profissional

·5 min de leitura

RIO — Trabalhar de casa era um sonho para muita gente. Na teoria, significaria ganhar umas horinhas a mais de sono, já que não haveria o tempo gasto no deslocamento, mais oportunidades de realizar atividade física, passar tempo com a família, ter momentos de lazer. A pandemia fez dessa perspectiva uma realidade. Porém, com mais cara de pesadelo. Um estudo feito pelo LinkedIn, em abril, mostrou que 62% dos profissionais estão mais ansiosos e estressados com o trabalho do que estavam antes.

O esgotamento profissional não é um fenômeno exclusivo deste momento excepcional. Uma pesquisa realizada entre 2018 e 2019 pela Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse no Brasil (Isma-BR) mostrou que 72% da população brasileira tinha alguma sequela de estresse. Destes, 32% sofriam de burnout, termo cunhado para designar a “pane no sistema” causada pela carga excessiva de trabalho.

A mudança da rotina e a necessidade de conciliar a vida profissional com a pessoal dentro do lar certamente contribuíram para o agravamento do quadro. As menções ao problema aumentaram 1.745% nas sessões de terapia online no primeiro quadrimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Zenklub, plataforma de saúde emocional e desenvolvimento pessoal. Para Rui Brandão, CEO e cofundador da empresa, as alterações causadas pela pandemia desequilibraram completamente nossos hábitos.

— Seis em cada dez brasileiros sentem uma sobrecarga de trabalho. Isso mostra que a gente está lidando com mais pressão, derivada de uma maior carga de trabalho. A segunda questão é que nós, como seres humanos, ainda não conseguimos impor limites — afirma.

A síndrome de burnout foi reconhecida formalmente no rol de doenças em 2019, quando foi incluída na classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Porém, segundo o psiquiatra Teng Chei Tung, coordenador de interconsultas do Instituto de Psiquiatria da USP, o problema não é propriamente uma doença mental, mas uma condição associada ao trabalho.

O problema é caracterizado por três dimensões: sentimento de exaustão ou esgotamento; aumento do distanciamento mental do próprio trabalho ou sentimentos de negativismo ou cinismo, sempre associado ao ambiente profissional; e redução do desempenho laboral.

Brandão explica que as pessoas afetadas pela síndrome costumam passar por três fases. Inicialmente, há um aumento brusco da produtividade, que começa a gerar fatores ansiosos. Vêm então taquicardia, falta de ar, dores musculares, dor de cabeça e insônia. É a chamada produtividade tóxica. Se nada for feito, chegamos à última fase, do esgotamento físico e mental.

— A pessoa desiste de reagir. Essa fase se caracteriza por faltas recorrentes ao trabalho, descumprimento de prazos e mudanças de comportamento — alerta.

Além da pressão por produtividade, outros fatores contribuem para o aumento do risco de transtornos como o burnout, como o clima da empresa e relações de trabalho, o sistema hierárquico, a eficácia da comunicação interna, a promoção da competitividade entre os funcionários, além de traços comportamentais do próprio indivíduo, como ambição e perfeccionismo.

Sem dúvida, os trabalhadores mais afetados pelo esgotamento resultante da pandemia foram os trabalhadores da saúde, que enfrentaram não apenas uma carga de trabalho gigantesca, mas a perda de pacientes e o medo diário de contaminação. Ao menos um em cada seis desses profissionais apresenta sinais de burnout, de acordo com estudo realizado por pesquisadores do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino. Fato semelhante ocorreu com aqueles que prestam serviços essenciais.

Em casa, o desafio foi outro: a dissolução dos limites entre a vida pessoal e profissional. A jornada de trabalho aumentou. Muitas vezes, não há pausa para o almoço. Aparições de crianças ou bichos de estimação em reuniões virtuais se tornaram corriqueiras. Após o expediente, as medidas de distanciamento social fizeram com que momentos de lazer ficassem restritos ao mesmo ambiente. O psiquiatra Teng Chei Tung relembra o caso de um paciente que morava em um apartamento pequeno e passou a fazer home office.

— Ele acordava e ia para a mesa na frente do computador. Só levantava de lá para dormir. A produtividade aumentou e a empresa colocou mais trabalho. Mas chegou uma hora que ele estava esgotado. Ele se sentiu como se estivesse em uma prisão na própria casa. A solução foi alugar um escritório com a namorada — conta.

Além de queda no rendimento e da possibilidade de afastamento, o burnout pode evoluir para doenças como ansiedade, depressão, abuso de substâncias e até mesmo para problemas coronarianos e hipertensão. Um estudo realizado em 2019 mostrou que cerca de 20 mil brasileiros pediram afastamento médico naquele ano por conta de doenças mentais relacionadas ao trabalho.

Por isso, muitas empresas têm adotado iniciativas que visam melhorar o bem-estar e a saúde mental dos funcionários. As estratégias incluem atendimento remoto por especialistas em saúde mental, orientação para atividades físicas, nutrição e ações de entretenimento. Estudos mostram que, para cada dólar investido em tratamento intensivo para transtornos como depressão e ansiedade, há um retorno de cinco dólares em saúde e produtividade.

Embora não seja considerado uma doença psiquiátrica, o burnout se instala de maneira silenciosa e a maioria das pessoas demora para entender que ultrapassou seus próprios limites. No entanto, estar atento aos sinais é fundamental para evitar uma crise mais grave. Segundo Tung, se não houver a presença de doenças mentais, o tratamento envolve uma avaliação de como o indivíduo pode se adaptar de outra forma ao trabalho. O autocuidado também é fundamental.

— Todo mundo sabe o que tem de ser feito. Tem que comer bem, fazer ginástica, restabelecer as prioridades e ter gerenciamento de tempo para trabalho, lazer, família e hobbies — recomenda.

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