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Estudos científicos equivocados alimentam a desinformação sobre a covid-19

·2 minuto de leitura
Activistas antivacuna protestan en Nueva York el 20 de junio de 2021.

Estudos científicos com metodologias falhas e conclusões imprecisas estão intensificando a crise de desinformação sobre a covid-19, o que desestimula a vacinação e coloca vidas em risco.

O intenso interesse público pela pandemia e o debate polarizado nos Estados Unidos sobre como abordá-la facilitam a disseminação de trabalhos de pesquisa equivocados na Internet, que fornecem supostos argumentos aos opositores à vacina. Quando o autor de um estudo se retrata, já é tarde demais.

"Assim que o artigo é publicado, o dano é irrevogável", disse Emerson Brooking, principal pesquisador residente do Laboratório de Pesquisa Digital Forense do Atlantic Council, que se especializa na identificação e exposição da desinformação.

As publicações científicas erradas "colocaram lenha na fogueira para os céticos da covid-19 e os teóricos da conspiração. Com frequência, viralizam na Internet. Suas conclusões também são baseadas em artigos provocativos e enganosos de sites marginais", explicou Brooking à AFP.

A informação errada sobre as vacinas é especialmente perigosa, em um momento em que sua aceitação diminuiu nos Estados Unidos, onde as autoridades de saúde afirmam que quase todas as mortes recentes por covid-19 ocorrem entre quem não está imunizado.

A revista médica Vaccines publicou um artigo revisado por pares no final de junho chamado "A segurança das vacinas covid-19: deveríamos repensar a política". O texto concluía que as injeções contra a covid-19 estavam causando a morte de duas pessoas em cada três que se salvavam. Esta suposta descoberta se espalhou rapidamente pelas redes sociais.

Um tuíte sobre este artigo de Robert Malone - um cientista crítico da vacina contra a covid-19 - obteve milhares de retuítes. Um vídeo da conservadora Liz Wheeler, que disse que o estudo "vai deixar vocês boquiabertos", foi visto mais de 250.000 vezes no Facebook.

No entanto, a revista Vaccines depois se retratou pelo artigo que havia publicado, dizendo que continha "vários erros que afetam fundamentalmente a interpretação das conclusões".

Ao menos quatro membros do conselho da Vaccines foram demitidos como resultado da publicação desse estudo, incluindo Katie Ewer, professora associada e imunologista principal do Instituto Jenner da Universidade de Oxford.

"Deveriam saber que este documento teria um grande impacto", disse Ewer, que não participou de sua publicação. "O fato de ninguém na revista ter se dado conta disso (...) é muito preocupante, especialmente para uma revista dedicada a vacinas".

O tuíte de Malone sobre este artigo não está mais disponível, mas o vídeo de Wheeler ainda aparecia no Facebook semanas depois.

Algumas das revistas científicas mais importantes, incluindo a The Lancet e a New England Journal of Medicine, se retrataram por artigos relacionados à crise do coronavírus, mas um número, ainda limitado, de estudos imprecisos pode causar grandes danos na Internet.

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