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Estudo testa aleatoriamente pessoas em circulação pelas ruas e detecta 11% de assintomáticas que foram infectadas pela cepa P1 do coronavírus

·4 minuto de leitura

RIO — A imagem que se costuma ter dos infectados pela variante gama do coronavírus, ou P1, é a de pessoas em agonia, nos leitos de UTI. Ela está por trás da onda devastadora da pandemia este ano no Brasil, mas não foi com os doentes que se espalhou. A gama se dissemina velozmente porque faz enorme quantidade de assintomáticos, gente que nem sabe que carrega o vírus da pior pandemia em um século, mostra uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz/Bahia e da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA).

No maior estudo com o genoma de assintomáticos no Brasil, os cientistas conseguiram mostrar que numa amostra aleatória da população, em trabalhadores que iam de casa para o trabalho, o percentual de assintomáticos chega a 11%, considerado elevadíssimo.

O trabalho evidencia que o uso de máscara, cuidados de higiene e de distanciamento são cruciais para o controle da pandemia. A gama circula sem sinais nas multidões apressadas dos centros urbanos, e é isso que dá eficiência à sua propagação.

Foram analisadas amostras de 1.400 pessoas escolhidas ao acaso na multidão que circula pelas duas praças mais movimentadas e o sempre cheio mercado popular de Feira de Santana — com 619.600 habitantes, Feira de Santana é a segunda cidade mais populosa da Bahia e a primeira em população do interior do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul.

— Esperávamos encontrar 5%, o que já seria elevadíssimo. Mas esse percentual deixa evidente que essa variante fez a pandemia explodir porque é extremamente transmissível. Como muitos dos infectados não adoecem, eles espalham sem saber o vírus que, como nosso gigantesco número de mortos e doentes deixa patente, acaba por encontrar também pessoas mais vulneráveis. É assim que se move a pandemia no Brasil — afirma o coordenador do estudo, Luiz Carlos Júnior Alcântara, pesquisador titular da Fiocruz/Bahia e professor colaborador da Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UEFS.

Falta de testagem no país é causa avassaladora da pandemia

Como queriam investigar o percentual de assintomáticos e as variantes que os infectavam, os cientistas foram a pontos movimentados, entrevistaram pessoas ao acaso e testaram as que disseram nunca ter tido Covid-19. Em hospitais, seria esperado ter um número considerável de infectados, mas não nas ruas, em pessoas aparentemente saudáveis. Porém, das 1.400 testadas com RT-PCR, 154 estavam positivas.

O estudo foi realizado de 8 de abril a 18 de maio, e as pessoas positivas foram acompanhadas por duas semanas. Somente 5% das positivas apresentaram sintomas, ainda assim muito leves.

— E vimos que a maioria das pessoas positivas simplesmente não desenvolveu sintomas de Covid-19 — frisa Alcântara, especialista em vigilância genômica e epidemiologia molecular.

Quase todas as pessoas positivas durante toda a infecção permaneceram sem sintomas e teriam espalhado o coronavírus, caso não tivessem sido testadas. A falta de testagem no Brasil para identificar e isolar casos ativos é outra das causas da avassaladora dimensão da pandemia no país.

Depois de identificar os casos positivos, os cientistas sequenciaram 122 genomas para investigar qual variante havia infectado as pessoas. Só encontraram a gama e uma variação sua, chamada por ora de P1.1, como de resto têm indicado análises genômicas em outras partes do Brasil. A gama chega a ser 2,4 vezes mais transmissível do que outras linhagens do coronavírus.

— As pessoas são totalmente assintomáticas, e ainda assim têm carga viral elevada, podem facilmente transmitir o coronavírus. É por isso que precisamos usar máscaras. O vírus não está confinado num hospital. Ele passa ao seu lado na praça, encontra com você no mercado. Está em pessoas sorridentes, está nas que trabalham arduamente. Ele pega quem não se protege. No cenário atual, com ritmo muito lento de vacinação, precisamos demais da máscara e do distanciamento — enfatiza Alcântara.

O cientista acredita que a gama, a despeito do surgimento de variantes em outros países, como a indiana delta, deve continuar a predominar no Brasil.

— Ela, na verdade, já começa a se transformar e a ter suas variações. A gama está se tornando fixa na população brasileira porque se espalha sem obstáculos. Mais do que variantes importadas, precisamos nos preocupar com ela. O coronavírus muda depressa, muito mais rápido do que a capacidade do Brasil vacinar — diz ele.

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