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Estudo propõe ligação entre ter gato na infância e desenvolver psicose no futuro

Há alguns anos, alguns estudos lançaram evidências — controversas, em grande parte — acerca da relação entre o Toxoplasma gondii e problemas psicológicos em adultos. Esse parasita, causador da toxoplasmose, é transmitido aos humanos através das fezes de gatos infectados, e há até mesmo pesquisas sugerindo que quem contrai o parasita acaba tendo o efeito adverso de gostar mais de gatos.

Um novo estudo, feito por cientistas da McGill University, no Canadá, procurou esclarecer as teorias envolvendo a toxoplasmose e a saúde neurológica dos seres humanos. Em particular, os pesquisadores sondaram a relação entre o contato com gatos ainda na infância e os impactos que isso pode ter na vida adulta. O estudo foi publicado em abril deste ano, na revista Journal of Psychiatric Research.

Os cientistas já deixam claro que o estudo não estabelece causalidade, no entanto: é reforçado que o contato com gatos é associado a ter mais experiências psicóticas na vida adulta, especialmente aos homens, mas não quer dizer que elas são primariamente causadas por isso.

O estudo não estabelece causalidade, e só leva em conta gatos que caçam ratos, então caso seu gato não saia de casa, não há o que temer (Imagem: Freepik/Reprodução)
O estudo não estabelece causalidade, e só leva em conta gatos que caçam ratos, então caso seu gato não saia de casa, não há o que temer (Imagem: Freepik/Reprodução)

Toxoplasmose e psicose

O estudo começou com base em entrevistas com 2000 pessoas em Montreal, no Canadá, que responderam perguntas sobre exposição ambiental a várias coisas, desde gatos a cigarro e ferimentos na cabeça, buscando descobrir fatores de risco para a psicose. Uma das perguntas era se o participante tinha algum gato, e se o animal caçava ratos, o que pode indicar a presença do Toxoplasma gondii, sendo o ciclo de vida do parasita.

Analisando os dados, os pesquisadores Suzanne King e Vincent Paquin viram que a relação entre psicose e a presença de gatos em casa era mais forte quando o animal caçava roedores. Enquanto consideram o achado interessante e digno de receber mais atenção, inclusive acadêmica, os cientistas acreditam que não é algo que deva, no momento, desencorajar ter um gato em casa: pelo contrário, ter um animal doméstico amado e bem cuidado traz inúmeros benefícios, segundo eles.

Toxoplasmose e sexo

E esse estudo não é o único que trata dos efeitos curiosos da toxoplasmose em humanos: uma pesquisa de 2016 notou alguns padrões de comportamento sexuais diferentes em pessoas com maior exposição ao Toxoplasma gondii, especialmente no que tange atração sexual a medo, perigo, dor e submissão.

Os pesquisadores comparam esse estudo ao uso do tabaco — inicialmente, pouco se sabia das influências do consumo na saúde, sendo necessária muita pesquisa para descobrir todas as ramificações em sintomas e riscos possíveis. Ter várias linhas estudando potenciais impactos na saúde humana causados pela toxoplasmose também é importante, mas não quer dizer que todas as correlações serão verdadeiras, e a solução não será, necessariamente, nos livrarmos dos gatos.

Pesquisas futuras podem acabar determinando outras formas de encarar a toxoplasmose, e pode ser que nem tenhamos que fazer nada em relação aos gatos (Imagem: Milada Vigerova/Unsplash)
Pesquisas futuras podem acabar determinando outras formas de encarar a toxoplasmose, e pode ser que nem tenhamos que fazer nada em relação aos gatos (Imagem: Milada Vigerova/Unsplash)

Pesquisas futuras

Agora, os cientistas acreditam que o próximo passo é fazer exames de anticorpo para confirmar a exposição das pessoas ao vírus, já que uma das limitações do último estudo foi a falta dessa medida. Até agora, outros estudos foram capazes de fazer esse exame apenas uma vez, e na vida adulta, com relatos de exposição ao parasita em algum momento da vida. Idealmente, as medidas teriam de ser feitas em vários momentos da vida de um participante.

Como a toxoplasmose também pode ser transmitida de mãe para filho, os pesquisadores gostariam de acompanhar, também, mudanças no risco de psicose e outras condições entre transmissões antes do nascimento, na infância e na vida adulta, procurando entender qual poderia afetar mais ou menos o infectado. O primeiro estudo que encontrou essa ligação foi feito em 1995, mas desde então, não foram feitas muitas pesquisas nesse campo.

Fonte: Canaltech

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