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Estudo investiga impacto da abertura das escolas na transmissão local da covid

·4 min de leitura

Uma pesquisa da Universidade de Binghamton, no estado de Nova York, investigou a relação entre os modelos de ensino — presencial, híbrido ou virtual — e o impacto das escolas no número de casos da covid-19 em regiões dos Estados Unidos. Segundo os cientistas, escolas podem ser seguras, mas a transmissão da doença deve estar controlada e outras medidas, eventualmente, devem ser adotadas para reduzir possíveis complicações no local.

"As escolas podem reabrir para aprendizagem presencial sem aumentar substancialmente as taxas de casos de SARS-CoV-2 na comunidade. No entanto, os impactos são variáveis", explicam os autores do estudo, publicado na revista científica Nature.

Pesquisa avalia relação entre casos da covid-19 e o funcionamento de escolas (Imagem: Reprodução/August de Richelieu/Pexels)
Pesquisa avalia relação entre casos da covid-19 e o funcionamento de escolas (Imagem: Reprodução/August de Richelieu/Pexels)

No estudo, os pesquisadores analisaram o comportamento de escolas públicas norte-americanas durante as 12 semanas após a reabertura de parcela significativa dos locais de ensino — quando a transmissão da doença estava estabilizada no país. Os dados cobrem os meses de julho a setembro de 2020, antes da chegada da variante Delta (B.1.671.2) e, mais recentemente, da Ômicron (B.1.1.529).

Outro fato que foi alterado, nos últimos meses, foi a vacinação de crianças com mais de 5 anos no país. Atualmente, as autoridades planejam a aplicação de doses de reforços para quem têm mais de 12 anos, por exemplo. Isso não era nem esperado naquele momento. Nesse cenário, os pesquisadores também destacam que "estudos adicionais são necessários".

Para o controle da pandemia, além do eventual fechamento de escolas — uma medida drástica e que pode afetar o aprendizado de milhões de crianças —, outras medidas de prevenção devem ser discutidas, como o uso de máscaras, distanciamento social e rastreio de contatos da covid-19.

Fechamento das escolas

Durante os primeiros meses da pandemia da covid-19, as escolas dos EUA foram fechadas como parte da resposta nacional para controlar a disseminação do coronavírus. Segundo os autores do estudo, a decisão foi tomada a partir de dados anteriores sobre a transmissão da gripe (influenza). Isso porque estudos anteriores apontaram para o fechamento de escolas como uma medida eficaz para reduzir transmissões de infecções virais respiratórias.

Hoje, sabe-se que crianças e adolescentes correm um menor risco de desenvolver doenças graves do que outras faixas etárias, mas não estão isentas de riscos. Além disso, elas podem exercer papel na transmissão do vírus na comunidade. Em outras palavras, os menores podem ser, potencialmente, vetores da covid-19 para pais, avós e outros familiares.

Resultados do estudo norte-americano

De forma geral, "em todas as regiões, não houve diferenças [para as taxas de infecção] em pessoas de 10 a 19 anos", explicam os autores, no artigo, sobre os diferentes os modelos de educação — híbrido, presencial ou remoto — adotados e o número de casos da covid-19 na região. No entanto, algumas exceções foram verificadas.

Inúmeros fatores podem contribuir para o aumento local de casos da covid-19 (Imagem: Reprodução/Photobac/Envato)
Inúmeros fatores podem contribuir para o aumento local de casos da covid-19 (Imagem: Reprodução/Photobac/Envato)

Na região Sul e Centro-Oeste dos EUA, aumento de casos da covid-19 em quem tem mais de 20 anos foi associado com o funcionamento presencial das escolas e da falta de medidas de prevenção. Além disso, "no Sul, houve um aumento estatisticamente significativo e sustentado de casos entre crianças de 0 a 9 anos durante o período de 2 a 10 semanas após a abertura da escola", apontam os autores. No total, o estudo analisou 12 semanas.

"No Sul, que tendia a ter medidas de mitigação de nível comunitário mais limitadas e que retomou [as aulas] durante um período com prevalência relativamente alta de casos de SARS-CoV-2 na comunidade, a reabertura das escolas para aprendizagem presencial (usando uma abordagem híbrida ou tradicional) foi associada a um aumento sustentado subsequente nas taxas de casos de SARS-CoV-2 na comunidade, impulsionado por aumentos de casos entre adultos e crianças com menos de dez anos", detalham.

"Em outras regiões, onde a adoção de medidas de saúde pública comunitária foi mais substancial e onde as escolas abriram em períodos de prevalência relativamente baixa, não encontramos impacto do modo de abertura de escolas na incidência subsequente de SARS-CoV-2 na comunidade", completam.

De forma resumida, o estudo aponta que, para o funcionamento seguro das escolas, outras medidas de contenção da transmissão da covid-19 devem ser adotadas localmente, como o uso de máscaras ou distanciamento social, para impedir aglomerações.

Fonte: Canaltech

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