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Estudo identifica “efeito Bolsonaro” em cidades mais afetadas pela Covid-19

Redação Notícias
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Brazil's President Jair Bolsonaro adjusts his mask as he leaves Alvorada Palace, amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak in Brasilia, Brazil May 13, 2020. REUTERS/Adriano Machado     TPX IMAGES OF THE DAY
O estudo mostrou que a Covid-19 provocou mais mortes e teve maior incidência de casos em municípios mais favoráveis ao presidente. (Foto: REUTERS/Adriano Machado TPX IMAGES OF THE DAY)

Um estudo realizado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em parceria com o IRD (Instituto Francês de Pesquisa e Desenvolvimento) identificou o que chamou de “efeito Bolsonaro” na pandemia do novo coronavírus no Brasil.

De acordo com a pesquisa, divulgada nesta segunda-feira (12) pelo jornal Folha de São Paulo, a covid-19 provocou mais mortes e teve maior incidência de casos em municípios mais favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“O estudo mostrou que a Covid-19 causa mais estragos nos municípios mais favoráveis ao presidente Bolsonaro”, destaca o texto da pesquisa.

O levantamento cruzou dados da expansão da vírus causador da Covid-19 com os resultados na votação em 1º turno nas eleições presidenciais de 2018 nos 5.570 municípios brasileiros.

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O efeito dessa comparação foi que, para cada 10 pontos percentuais a mais de votos para Bolsonaro, existe um aumento de 11% no número de casos de contaminação pelo novo coronavírus e de 12% no número de mortes provocadas pela doença.

“Podemos pensar que o discurso ambíguo do presidente induz seus partidários a adotarem com mais frequência comportamentos de risco (menos respeito às instruções de confinamento e uso da máscara) e a sofrer as consequências.”, diz o texto.

De acordo com os pesquisadores, esse foi o efeito que mais chamou a atenção, pois, em princípio, não haveria razão para explicar o motivo de cidades que votaram mais em Bolsonaro terem proporcionalmente mais mortes do que nos outros locais estudados.

“A argumentação que usamos no nosso artigo é que provavelmente trata-se de 1 efeito da própria postura do presidente, que minimizou o uso de máscara e a doença, chamando-a de gripezinha”, afirma o professor João Luiz Maurity Sabóia, pesquisador envolvido no estudo.

O resultado vai ao encontro com outro estudo, feito por UFABC (Universidade Federal do ABC), FGV (Fundação Getúlio Vargas) e USP (Universidade de São Paulo). Esse levantamento concluiu que a taxa de isolamento social diminuiu no Brasil em praticamente todas as vezes que Bolsonaro minimizou a pandemia.