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Estudo diz que só zerar as emissões de CO2 não vai combater o aquecimento global

·3 minuto de leitura

A missão de amenizar os efeitos da emissão de gases de efeito estufa na atmosfera nunca foi considerada fácil, mas, de acordo com um estudo feito recentemente, talvez esteja muito tarde para tentar reverter esse problema. Sendo assim, mesmo que os esforços sejam significativos e aconteçam em todo o mundo, as alterações climáticas provocadas pelo aquecimento global continuarão ocorrendo.

As informações são de uma pesquisa publicada na revista científica Scientific Reports, nesta quinta-feira (12), revelando o uso de um modelo para verificar o que aconteceria se a quantidade de emissões caísse em zero ainda neste ano. O resultado mostrou que as temperaturas globais continuariam aumentando, assim como o nível do mar.

<em>Imagem: Reprodução/Marcin Jozwiak/Unsplash </em>
Imagem: Reprodução/Marcin Jozwiak/Unsplash

Segundo Jorgen Randers, principal autor da pesquisa, o derretimento seguiria acontecendo pelos próximos 500 anos, independentemente do quão rápido a humanidade irá cortar as emissões de gases de efeito estufa, e a única solução seria, literalmente, sugar o dióxido de carbono da atmosfera.

O pesquisador explica, no estudo, que as alterações climáticas consistem em um círculo vicioso e autossustentável, uma vez que, a cada vez que o permafrost descongela, faz com que mais gases sejam liberados na atmosfera, como o dióxido de carbono e o metano, deixando o clima mais aquecido por mais tempo. O modelo usado na pesquisa analisou os efeitos de diversos cenários de redução da emissão entre os anos de 1850 a 2500.

Os resultados mostraram que, em 2500, com as emissões acabando em 2020, o nível do mar seria 2,5 metros mais alto do que foi em 1850. Para prevenir que a temperatura aumentasse em 3 °C, as emissões teriam que ser cortadas entre os anos de 1960 e 1970. A Terra atingiu um limite sem volta há 50 anos, quando a comunidade científica começou a ter noção dos acontecimentos.

<em>Imagem: Reprodução/Jairo Gallegos/Unsplash</em>
Imagem: Reprodução/Jairo Gallegos/Unsplash

Ainda de acordo com o modelo usado na detecção, mesmo que a redução de 2 °C imposta pelo acordo de Paris aconteça até 2100, o nível do mar em 2500 estaria próximo ao aumento de três metros. De acordo com Randers, governos e empresas precisam começar a desenvolver tecnologias em larga escala que remova esses gases da atmosfera, técnica que na teoria é conhecida como captura e armazenamento de carbono.

Como funciona?

Para atingir os níveis desejáveis, pelo menos 36,5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono teriam que ser sugadas da atmosfera por ano. Essa quantidade é o número aproximado de emissões feitas pela indústria de combustíveis fósseis de todo o mundo apenas em 2018. Países como Canadá, Estados Unidos e Suíça já começaram a utilizar a captura e armazenamento de carbono como tentativa de reduzir suas emissões. Há seis anos, na província canadense de Saskatchewan, a estação Boundary Dam Power Station se tornou a primeira do mundo a usar a tecnologia de forma satisfatória.

No mundo todo, são 21 projetos de captura de carbono sendo operados, com mais 22 em desenvolvimento. O processo envolve a absorção dos gases, levando-os ao subsolo mais profundo em campos de gás ou petróleo que ficam em recipientes biorreatores repletos de algas que consomem o dióxido de carbono. Porém, para que isso funcione, esses centros precisam continuar agindo para sempre, sem uma data para encerrar, o que acaba exigindo ainda mais esforços.

Fonte: Canaltech

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