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Estudo diz que até máscaras mais simples são essenciais para combater a pandemia

Natalie Rosa

A pandemia do novo coronavírus trouxe não só para o Brasil, como em vários países, o costume de sair de casa usando uma máscara de proteção, sendo então uma das formas de prevenção contra a COVID-19.

Inicialmente, o recomendado era apenas para o uso em hospitais e de máscaras do tipo cirúrgico, mas, conforme a pandemia foi agravando, o seu uso passou a ser essencial, pois quanto mais prevenção melhor. A questão, posteriormente, era se o seu uso realmente é o suficiente para impedir a entrada do vírus SARS-CoV-2 pelo nariz e boca. De acordo com estudos recentes baseados nas gotículas liberadas em tosses e espirros, sim, o uso das máscaras de proteção é eficaz.

Segundo cientistas responsáveis pelos estudos com a máscara, o acessório conta com duas funções diferentes, limitando a possibilidade de pessoas infectadas colocarem o vírus no ar e também reduzindo o acesso do vírus ao nariz e boca. Os olhos, no entanto, continuam desprotegidos, existindo ainda o fato de que não se sabe o quanto desses vírus serão barrados pelas máscaras e, consequentemente, passam a virar sua moradia.

Imagem: Reprodução

Além disso, por se tratar de um vírus muito novo, os cientistas ainda não têm certeza sobre o seu comportamento. Não se sabe ao certo, por exemplo, quando do vírus está presente em uma única gotícula de uma pessoa infectada, quanto tempo ele permanece infeccioso no ar, entre outros detalhes. Outra incerteza é sobre o quão infecciosa se torna uma pessoa, uma vez contaminada pela doença. Com todas essas dúvidas no ar, o máximo de proteção possível pode ser crucial para reduzir os casos.

Para entender melhor o nível de proteção das máscaras, pesquisadores simularam algumas condições, como o simples ajuste delas com as mãos. Dois modelos se destacaram nesses estudos, sendo o primeiro questionando o quão efetiva uma máscara deve ser para influenciar na taxa de transmissão da COVID-19, baseado em quantas pessoas usaram a proteção.

A simulação foi feita com um modelo com duas taxas básicas de infectividade, observando como níveis diferentes de efetividade e uso alteravam essas taxas. O gráfico abaixo mostra em barras azuis a taxa de infectividade alta, enquanto as vermelhas mostram taxa moderada.

Reprodução: The Royal Society

O resultado mostra que mesmo o baixo uso de máscaras como proteção é capaz de reduzir a taxa de contaminação para quase 1, sendo abaixo disso o caminho para que o vírus comece a parar de espalhar. No entanto, na maioria das ocasiões, como mostra a linha do topo, as pessoas começaram a usar a máscara apenas no início dos primeiros sintomas da doença. 

Sendo assim, não há evidências de que somente o uso da proteção no rosto é capaz de proteger uma pessoa do vírus completamente, mesmo que todas as pessoas com sintomas usem e essas máscaras tenham 95% de efetividade. Por outro lado, se todo mundo usar máscara a todo o tempo, mesmo com 75% de efetividade, o uso pode provocar naturalmente a redução das taxas de contaminação.

Em um segundo modelo, os pesquisadores se basearam em uma abordagem epidemiológica padrão dividida em população suscetível, infectadas e recuperadas, dividindo as pessoas em uso de máscaras ou não, com sintomas ou assintomáticos, criando então a formação e disseminação de gotículas que contam com o vírus. Os resultados mostraram que a falta do uso de máscaras levou a um pico de contaminação, com a necessidade de isolamento total, seguido de recuperação e relaxamento. 

Sendo assim, até mesmo o uso de máscaras não tão eficazes contra o novo coronavírus já conseguem provocar um atraso no pico de contaminações. Isso, considerando ainda a ineficácia da proteção por vários toques no rosto e ajustes, por exemplo. Com as informações obtidas no estudo, cabe às autoridades de cada país decidir sobre o seu uso obrigatória e a conscientização sobre a importância das máscaras para evitar a COVID-19.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Fonte: Canaltech