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Estudo desvenda o fluxo das geleiras no polo sul de Marte

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O gelo seco em Marte, formado por dióxido de carbono (CO2) congelado, parece fluir até 100 vezes mais rápido do que o gelo de água na superfície do planeta quando em altas encostas, de acordo um novo estudo liderado pela Universidade de York. Segundo os autores, essa mesma dinâmica pode estar acontecendo nos últimos 600 mil anos.

Para tal descoberta, os pesquisadores observaram os processos envolvidos nas geleiras de dióxido de carbono no polo sul de Marte. Segundo o Planetary Science Institute, existem vários tipos de gelo no Sistema Solar e conforme mais planetas anões são descobertos, é bem provável que alguns deles tenham geleiras de monóxido de carbono ou metano.

Calota do polo sul de Marte (Imagem: Reprodução/ESA/DLR/FU Berlin)
Calota do polo sul de Marte (Imagem: Reprodução/ESA/DLR/FU Berlin)

Essas geleiras são consideradas de rápido fluxo, devido a seu rápido movimento mediante seu próprio peso. A geleira no polo sul de Marte aumentou tanto em volume quanto em massa desde sua formação há mais de meio bilhão de anos, com interrupções periódicas devido à perda por sublimação (quando o gelo se transforma em gás).

Sem o fluxo de gelo nos últimos milhares de anos, o ponto mais espesso da geleira teria apenas 45 metros. No entanto, como o gelo flui das partes mais altas para bacias e calhas curvas, onde passa a se acumular, criou-se depósito de gelo com até 1 km de espessura.

Maior geleira de dióxido de carbono do polo sul de Marte registrada pela sonda Mars Express (Imagem: Reprodução/NASA/MSSS)
Maior geleira de dióxido de carbono do polo sul de Marte registrada pela sonda Mars Express (Imagem: Reprodução/NASA/MSSS)

Os pesquisadores usaram uma versão adaptada a Marte do programa Ice Sheet and Sea-Level System Model da NASA, dedicado ao monitoramento das geleiras da Groenlândia e Antártida. O modelo revelou que a ação glacial é a principal força responsável pelos movimentos do gelo seco marciano.

Essa explicação se opõe à deposição atmosférica, que espalharia o gelo de maneira mais uniforme, criando camadas mais finas. Isaac Smith, coautor do estudo, acrescentou que o gelo está fluindo para baixo como a água flui para os lagos. "Apenas o fluxo glacial pode explicar a distribuição", disse.

Por mais que a taxa de fluxo tenha atingido sua máxima atividade há 400 mil anos, a geleira diminuiu lentamente nesse tempo, mas permanece impressionante em tamanho. Segundo pesquisas anteriores, a maior geleira tem cerca de 40 km de largura por 200 km de comprimento.

A pesquisa foi apresentada no periódico científico JGR Plantes.

Fonte: Canaltech

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