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Estudo da Fiocruz relaciona covid grave a desgastes do sistema imune

·2 min de leitura

Os casos graves de covid-19 têm relação com o envelhecimento do sistema imunológico. É o que sugere um estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicado na revista científica Journal of Infectious Diseases. Os voluntários foram recrutados no Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro.

Para fazer essa associação, o grupo de cientistas analisou amostras de sangue de 22 pacientes hospitalizados com covid-19 e comparou com 22 pessoas saudáveis. Em meio a essa avaliação, os pesquisadores procuraram por sinais de que as células de defesa (conhecidas como linfócitos T auxiliares) das pessoas com a doença passaram por um desgaste. O artigo aponta que, a partir desse processo de envelhecimento, as células perdem a capacidade de se multiplicar, reconhecer as proteínas virais e ativar as células responsáveis pela produção de anticorpos.

Estudo brasileiro relaciona covid-19 grave a desgastes do sistema imune (Imagem: kjpargeter/Freepik)
Estudo brasileiro relaciona covid-19 grave a desgastes do sistema imune (Imagem: kjpargeter/Freepik)

“Nos pacientes com Covid-19 grave, observamos que os linfócitos T CD4 [auxiliares] estão em estágio final de diferenciação, apresentando marcadores de exaustão e senescência. São células que perderam a capacidade de expansão clonal, ou seja, não vão se multiplicar ao entrar em contato com as proteínas virais e não vão conseguir comandar uma resposta imunitária eficiente”, afirma o coordenador do estudo, Alexandre Morrot, em entrevista à Agência Friocruz.

O pesquisador esclarece que os linfócitos T auxiliares atuam como maestros do sistema imune. No combate à infecção, essas células reconhecem as proteínas virais e ativam as células de defesa responsáveis por combater o vírus e produzir anticorpos.

“A Covid-19 ainda é uma doença nova e não sabemos como será a sua evolução. A literatura científica indica que células exauridas podem recuperar sua função. Já as células senescentes podem morrer e ser substituídas por células jovens. É possível que alguns meses após a doença, os pacientes não apresentem mais essas alterações, mas isso terá que ser acompanhado”, conclui.

Fonte: Canaltech

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