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Estudo aponta 'boom' sem precedentes de gêmeos no mundo

Brigitte CASTELNAU
·3 minuto de leitura
Um estudo constatou que a ascensão da tecnologia de reprodução assistida contribuiu para o aumento de nascimentos múltiplos

Nunca nasceram tantos gêmeos no mundo, um fenômeno que se deve à disseminação da reprodução medicamente assistida e à idade mais tardia das gestações - afirmou um grupo de pesquisadores nesta sexta-feira (11).

Mais de 1,6 milhão de pares de gêmeos nascem a cada ano no mundo, ou seja, "quase um em cada 40 bebês", segundo estudo publicado na revista especializada Human Reproduction.

Desde os anos 1980, a taxa global de nascimentos de gêmeos aumentou em um terço, de 9,1 para 12 por cada 1.000 partos, ou seja, em apenas três décadas, diz Gilles Pison, professor do Museu Nacional de História Natural e pesquisador associado do Instituto Nacional de Estudos Demográficos (INED), com sede na França.

Esse boom de gêmeos é preocupante, porque com frequência eles nascem abaixo do peso correto, são prematuros, apresentam mais complicações durante o parto e sofrem mais mortalidade do que os demais. Sem falar das dificuldades dos pais de cuidarem de dois bebês ao mesmo tempo.

O aumento da frequência mundial de gêmeos se deve unicamente ao aumento sem precedentes de gestações dos chamados "falsos gêmeos" (de dois óvulos diferentes), que varia entre os continentes e de um período para outro.

Os gêmeos autênticos (monozigóticos) nascem em todas as partes nas mesmas proporções, com "uma taxa constante - de quatro partos de gêmeos autênticos por 1.000 partos - que não varia com a idade da mulher, nem entre as regiões", aponta Pison.

A reprodução medicamente assistida, que começou nos países ricos na década de 1970, contribuiu para esse aumento de nascimentos múltiplos, assim como para as gestações tardias.

O nível sanguíneo de um hormônio que intervém no amadurecimento do óvulo e na ovulação, o FSH, aumenta com a idade e faz subir a probabilidade de uma gravidez de gêmeos, até alcançar um pico aos 37 anos.

A partir dessa idade (se não se recorrer à procriação medicamente assistida), a taxa de gêmeos falsos diminui rapidamente, devido às falhas da função ovariana e ao aumento da mortalidade embrionária, explica o pesquisador.

- Por continentes -

Os avanços técnicos na reprodução assistida permitem, há anos, uma gravidez bem-sucedida, implantando-se um único embrião e congelando os restantes. Isso significa que "talvez tenhamos alcançado um pico em termos de taxas de gêmeos, sobretudo, nos países ricos", afirma o estudo.

Os autores deste trabalho - Gilles Pison, Christiaan Monden (Universidade de Oxford) e Jeroen Smits (Radboud University, Holanda) - se basearam em todos os dados disponíveis para estimar a taxa de gêmeos em diferentes países e descrever as mudanças em três décadas, comparando os períodos 1980-1985 e 2010-2015.

Dos 3,2 milhões de gêmeos que nascem a cada ano, 1,3 milhão deles nascem na África (650.000 pares), outros tantos, na Ásia, e o restante, cerca de 600.000 crianças, em outros continentes.

Se a Ásia conta com tantos nascimentos de gêmeos, é principalmente porque abriga 60% da humanidade.

O grande número de gêmeos na África (17%) se deve a uma taxa de natalidade muito maior do que em outros lugares e porque, além disso, o índice de gêmeos já era o mais alto do mundo.

No continente africano, a taxa é de 17,1 partos gêmeos a cada 1.000, enquanto na América do Sul é de 9,3 para o período 2010-2015, e na Ásia, de 9,2.

A taxa de nascimentos de gêmeos na Europa e na América do Norte há 30 anos era quase a metade da registrada da África. Aumentou de forma significativa, porém, chegando a 14,4 e 16,9 partos de gêmeos por cada 1.000, respectivamente.

BC/rh/cbn/erl/mar/tt