Mercado fechado
  • BOVESPA

    113.282,67
    -781,69 (-0,69%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    51.105,71
    -358,56 (-0,70%)
     
  • PETROLEO CRU

    73,95
    +0,65 (+0,89%)
     
  • OURO

    1.750,60
    +0,80 (+0,05%)
     
  • BTC-USD

    42.437,77
    -2.322,44 (-5,19%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.067,20
    -35,86 (-3,25%)
     
  • S&P500

    4.455,48
    +6,50 (+0,15%)
     
  • DOW JONES

    34.798,00
    +33,18 (+0,10%)
     
  • FTSE

    7.051,48
    -26,87 (-0,38%)
     
  • HANG SENG

    24.192,16
    -318,82 (-1,30%)
     
  • NIKKEI

    30.248,81
    +609,41 (+2,06%)
     
  • NASDAQ

    15.319,00
    +15,50 (+0,10%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,2556
    +0,0306 (+0,49%)
     

Estrutura para atender turistas no Cristo Redentor, maior cartão postal do país, se resume a geladeira para vender água e refrigerante

·5 minuto de leitura

Uma geladeira, com água e refrigerante, às costas do Cristo Redentor, antes do último lance de escadas para um dos mais belos mirantes do planeta. Esse é o retrato da estrutura precária que hoje os turistas — em média três milhões por ano — encontram no monumento eleito uma das sete maravilhas do mundo moderno, a atração turística mais visitada do país. Desde o início de julho, nenhuma das sete lojas no alto do Corcovado está funcionando, em meio a uma briga judicial que envolve antigos comerciantes, o governo federal e a Arquidiocese do Rio.

Em fevereiro, foram definidos os vencedores de um chamamento público feito pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, para a operação das lojas no alto do Cristo. Cinco dos sete pontos comerciais eram controlados por um mesmo grupo familiar, desde quando o patriarca, José Manoel Gonçalves, trabalhou na instalação da estátua. Essa concessão recente, porém, está sendo questionada na Justiça, sob acusação de direcionamento do resultado e ilegalidades administrativas — o Ministério Público Federal entende que o correto seria a realização de uma licitação, que tem maior divulgação e ferramentas de fiscalização.

Ao mesmo tempo, tramitam ações de reintegração de posse movidas pelo ICMBio, que quer assumir de vez a operação do comércio no santuário. Uma liminar deu razão ao órgão federal, no fim do ano passado, enquanto a Arquidiocese afirma ter o direito ao uso da área de 477 metros quadrados, que vai do primeiro degrau do espaço ao topo do Cristo, por meio de um acordo de 1934 e renovado em 1981. Mas, para a União, esses antigos documentos não têm mais validade, e a Igreja, que alega “ato de má-fé do ICMBio”, vem perdendo os recursos na Justiça.

Hoje não há ordem legal que impeça a concessão. Ainda assim, as lojas estão vazias. O Grupo Cataratas, que controla o transporte de visitantes por vans até o monumento, venceu o chamamento para administrar três dos estabelecimentos. A empresa afirmou que assinou o contrato na semana passada e que, nos próximos dias, serão iniciadas as reformas, sem prazo de conclusão. Outras duas lojas serão assumidas pela Foto&Gráfica LTDA e pela RV Capital, Empreendimentos, Comércio Importação e Exportação Eireli. Ao todo, as três empresas vão pagar aluguéis mensais de R$ 133,4 mil à União. O sexto ponto, onde era o restaurante, não recebeu ofertas, e o sétimo deverá ser transformado em um posto de serviço médico, então não constou do edital.

Fila por água

Ontem, com os termômetros perto dos 40 graus, turistas faziam fila em frente à geladeira improvisada para conseguir uma garrafa de água. As outras opções no alto do Corcovado, no momento, são duas pequenas bancas da Campanha Amigos do Cristo Redentor, que vende fotos e imagens religiosas. Moradora de Duque de Caxias, Elaine Lucena voltou ao Cristo pela primeira vez após décadas para levar sua filha, Luiza Souza.]

— Eu achava que ia ter lanchonete e lojas, mas já na subida um rapaz avisou para gente comprar lanche antes, porque está tudo fechado. Não faz sentido não ter nada, até porque não existe limite de tempo de visita — lamentou Elaine.

Já o casal Leticia Azevedo e Arthuro Munay, de Natal (RN), não se surpreendeu com a falta de opção porque eles já tinham sido informados sobre o problema.

— O Pão de Açúcar é muito mais organizado, com várias lojas. É complicada essa situação aqui, uma pena — disse Leticia.

O guia de turismo Luiz Cláudio dos Santos, que trabalha há 28 anos no Cristo, diz que as reclamações são constantes:

— Já aviso antes para as pessoas não chegarem lá em cima de mãos vazias. Para levar água, lanche. Falo até do banheiro, porque lá em cima não é tão limpo, o que é pior nessa situação de pandemia.

Para Alfredo Lopes, presidente do Hotéis Rio, o retrato do comércio fechado no Cristo é mais uma prova da ineficiência do governo em potencializar as atrações do Parque da Tijuca.

— É um episódio lamentável. A gente tem aqui uma Disneylândia dentro do Rio, a maior floresta urbana do mundo. Se o produto fosse bem trabalhado, acho que os turistas, em média, estenderiam em um dia a estadia no Rio. Cansamos de ver problemas de funcionamento do Cristo em feriados. Acho que esse problema com o Padre Omar pode ter sido providencial para a gente repensar a administração — afirma Lopes, defensor de uma administração privada no local. [

O entreveiro com Padre Omar, citado por Lopes, desencadeou ataques públicos entre o ICMBio e a Arquidiocese desde o último sábado, quando o religioso, reitor do Santuário do Cristo, foi impedido, por duas horas, de acessar o monumento para a celebração de um batizado. O caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Já o ICMBio alegou que, “por questões de segurança, todos os veículos que acessam as áreas restritas precisam se identificar”.

Em seu posicionamento, a Arquidiocese retomou a discussão sobre o uso da área e repudiou o despejo dos comerciantes. “Dessa forma, os visitantes não podem se alimentar nem ao menos se hidratar no local, sem que levem o próprio alimento ou a água”, diz o texto.

Lojistas querem licitação

Os movimentos do governo federal para retomar as lojas no Cristo começaram em 2019, quando a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) entregou uma ordem de despejo aos comerciantes, o que motivou, em resposta, uma ação judicial, agora em fase de perícia para comprovar benfeitorias pagas pelos comerciantes e cálculo de possível indenização. Já em setembro de 2020, o ICMBio entrou com ação de reintegração de posse e conseguiu a liminar para desocupação da área.

Mas o advogado Ewerton Oliveira, bisneto de José Manoel Gonçalves, e cujos pais ainda trabalhavam nas lojas, lembra que os movimentos do ICMBio já ocorriam, nos bastidores, desde 2017. Na opinião dele, o chamamento público deveria ser anulado. Oliveira diz que, se houver uma licitação, os antigos lojistas se interessarão em concorrer. O Grupo Cataratas informou que “o processo de concessão das três lojas do Alto Corcovado seguiu os trâmites legais”. O ICMBio e o Ministério do Meio Ambiente não se manifestaram.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos