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Estrutura descoberta na Via Láctea pode ser um "braço quebrado" da galáxia

·2 minuto de leitura

Com dados do Telescópio Espacial Spitzer e do observatório Gaia, pesquisadores descobriram uma “quebra” em um dos braços espirais da nossa galáxia, a Via Láctea. A curiosa formação está no Braço de Sagitário, onde, em determinado trecho, há uma multidão de estrelas jovens que parecem “fora do lugar”.

Essas estrelas se movem na mesma direção e quase na mesma velocidade. À primeira vista, é fácil concluir que elas fazem parte do Braço de Sagitário, mas a conclusão dos cientistas é um pouco mais inusitada: elas podem ser o que restou de um braço até então desconhecido que se quebrou.

Braços espirais se enrolam ao redor do núcleo das galáxias, e os modelos atuais sugerem que esse enrolamento pode ser medido pelo ângulo de inclinação em comparação a um círculo perfeito de 0°. Com essa abordagem, o Braço de Sagitário teria um ângulo de inclinação de aproximadamente 12°, enquanto as novas observações mostram que o ângulo de inclinação da estrutura “deslocada” é de quase 60°.

O motivo dessa discrepância ainda não está claro, mas os autores do estudo fizeram algumas considerações sobre diferentes possibilidades. No total, foram identificadas 25 regiões de formação de estrelas dispostas nessa estrutura linear de aproximadamente 1 kpc de comprimento (equivalente a 3.261,56 anos-luz). A estrutura inclui regiões massivas de famosos “berçários” de estrelas, como M8, M16, M17 e M20.

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)
(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Apesar do estranho ângulo de 56 graus, os “movimentos na estrutura são coerentes, com velocidades na direção da rotação galáctica (…) ligeiramente superior à média, e ligeiros desvios para dentro”, disseram os autores do artigo publicado no Astronomy & Astrophysics. Os astrônomos ainda não compreendem muito bem a origem dos braços de galáxias espirais, mas o novo estudo pode ser útil para uma solução desse enigma.

Em parte, a utilidade do artigo para os modelos teóricos é que as estrelas da estrutura recém-descoberta se formaram na mesma hora e zona, e provavelmente foram influenciadas por mudanças que ocorreram na Via Láctea, tais como as forças gravitacionais e as deformações associadas à rotação da galáxia. "Esta estrutura é um pequeno pedaço da Via Láctea, mas pode nos dizer algo significativo sobre a galáxia como um todo", disse Robert Benjamin, co-autor do estudo.

Por fim, os autores deixam em aberto para futuros esclarecimentos a real natureza dessa estrutura — se é uma formação isolada, uma subestrutura do Braço de Sagitário, ou ainda se há outras estruturas semelhantes neste braço espiral. Em última análise, a descoberta transforma o Braço de Sagitário em um "excelente laboratório para examinar a formação de estrelas em escalas grandes o suficiente para serem comparadas a observações extragalácticas".

Fonte: Canaltech

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