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Estrela massiva desaparece sem deixar rastros de explosão e intriga cientistas

Daniele Cavalcante
·3 minuto de leitura

Uma estrela 2,5 milhões de vezes mais brilhante que o Sol, localizada em uma galáxia a cerca de 75 milhões de anos-luz de distância da Terra, desapareceu misteriosamente. Várias equipes de astrônomos já haviam estudado a estrela entre 2001 e 2011, e imaginavam que ela explodiria em uma supernova, mas ela simplesmente sumiu sem deixar nenhum rastro luminoso.

A galáxia que abriga a estrela desaparecida se chama Kinman Dwarf, e fica na constelação de Aquário. Embora esteja longe demais para que os astrônomos possam distinguir suas estrelas individualmente, eles podem observar algumas delas através de suas assinaturas luminosas. Assim, ela foi acompanhada por vários cientistas, incluindo a equipe de Andrew Allan, do Trinity College Dublin, na Irlanda, pois tudo indicava que a estrela estava nos estágios finais de sua evolução.

No entanto, ao apontar o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul, em 2019, os astrônomos descobriram que a estrela massiva não estava mais lá. Os pesquisadores supõem que a estrela pode ter se tornado menos brilhante e parcialmente obscurecida pela poeira, ou que ela entrou em colapso, transformando-se em um buraco negro sem produzir uma supernova. Se este for o caso, “seria a primeira detecção direta de uma estrela monstro terminando sua vida dessa maneira”, disse Allan.

De acordo com as evidências encontradas nas assinaturas emitidas pela galáxia, tratava-se de uma estrela variável azul luminosa, que poderia ser uma das mais massivas do universo observável, de acordo com Jose Groh, colega de Allan. Estrelas desse tipo são instáveis, e apresentam mudanças drásticas em seus espectros e brilho.

Mesmo com essas mudanças, no entanto, ela deveria deixar rastros específicos nos dados dos telescópios, mas eles não apareceram quando a equipe foi conferir em 2019. De acordo com Allan, que liderou um estudo sobre a estrela publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, “seria altamente incomum uma estrela tão grande desaparecer sem produzir uma explosão brilhante de supernova”.

Então, a equipe voltou aos dados antigos, obtidos em 2002 e 2009, e as informações indicavam que a estrela na Kinman Dwarf poderia ter passado por um período de explosão que provavelmente terminou algum momento depois de 2011. Não que ela tenha se tornado uma supernova, pois estrelas variáveis ​​azuis luminosas como esta tendem a sofrer explosões gigantescas ao longo de sua vida, causando uma perda de massa e aumento de luminosidade.

Com base nessas observações e em modelos, os astrônomos sugeriram duas explicações para o desaparecimento da estrela e a ausência de uma supernova. A primeira é que a explosão anterior pode ter transformado a variável azul em uma estrela menos luminosa, que acabou sendo parcialmente escondida pela poeira. A segunda explicação é que a estrela pode ter colapsado em um buraco negro sem produzir uma supernova, o que seria um evento bastante raro.

Ainda são necessários novos estudos para confirmar o que realmente aconteceu com essa estrela, e isso poderá ser feito quando o Extremely Large Telescope (ELT) do ESO entrar em ação, em 2025. Ele será capaz de observar e analisar estrelas em galáxias distantes, como a Kinman Dwarf, e ajudará a entender o que houve por lá.

Fonte: Canaltech