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Estrangeiro deve voltar à dívida com fim do aperto, diz Nuveen

(Bloomberg) -- Os investidores estrangeiros serão atraídos de volta aos títulos de dívida do Brasil em moeda local a partir do momento que o Banco Central interromper a elevação da taxa Selic e a eleição presidencial passar, avalia Anupam Damani, chefe de dívida de mercados internacionais e emergentes da Nuveen, baseada em Nova York, em entrevista.

Segundo ela, os investidores querem ver o pico da inflação e um “teto” para os rendimentos da dívida antes de comprar títulos locais.

A Nuveen, que tinha US$ 1,1 trilhão em ativos sob gestão em 30 de junho, rebaixou os títulos em moeda local do Brasil de overweight para neutro no início de julho devido à maior volatilidade do mercado global e à força mais generalizada do dólar. A firma estaria disposta a aumentar a exposição aos títulos brasileiros novamente se o sentimento de risco global melhorar, a política fiscal for mais responsável após a eleição e o ciclo de alta for encerrado.

O fim de ciclo de aperto geralmente fornece mais clareza sobre o cenário para os títulos e um teto aos rendimentos, disse Damani. “Uma vez que haja maior visibilidade, mesmo que os rendimentos não diminuam imediatamente, há uma oportunidade de ganhar carry”, afirmou.

Riscos idiossincráticos em relação à sustentabilidade da dívida pública ainda mantêm os estrangeiros cautelosos em relação aos títulos do Brasil, segundo ela. “Esse tipo de incerteza exige um prêmio em títulos de prazo mais longo e impõe uma restrição à disposição de alocar para o Brasil”, disse.

O rendimento da NTN-F de dez anos subiu cerca de 130 pontos desde o início do ano, de 10,80% para 12,10%, com a alta de juros do BC, a escalada dos riscos fiscais e a elevação do yield dos treasuries. Mas a taxa recuou cerca de 80 pontos desde a última decisão do Copom, há uma semana, quando operava ao redor de 12,9%, e hoje se encontra perto dos menores patamares desde abril.

A Nuveen também rebaixou os títulos locais do Brasil por causa da expectativa de maior volatilidade nos mercados locais devido à aproximação das eleições. Damani diz que o principal risco na corrida presidencial brasileira é de uma potencial agitação social após a votação.

“Este é um evento de baixa probabilidade, mas que pode ser muito perturbador com implicações negativas para a democracia”, disse ela. De acordo com a gestora, as eleições podem impactar os mercados em maior medida no futuro, embora os principais candidatos sejam bem compreendidos pelo mercado e provavelmente não tragam surpresas.

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