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Estouro da meta se deve à inflação herdada do ano anterior e alta das commodities, diz BC

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 25.11.2022: Roberto Campos Neto. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, faz uma apresentação sobre a conjuntura econômica em almoço de fim de ano da Federação Brasileira de Bancos. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 25.11.2022: Roberto Campos Neto. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, faz uma apresentação sobre a conjuntura econômica em almoço de fim de ano da Federação Brasileira de Bancos. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, afirmou em carta aberta divulgada nesta terça-feira (10) que o estouro da meta de inflação pelo segundo ano consecutivo se deve a cinco principais fatores, como a inflação herdada do ano anterior, fenômenos globais e retomada na demanda de serviços e no emprego após reabertura da economia.

Entre os fenômenos globais, o BC cita a elevação dos preços de commodities, em especial do petróleo, desequilíbrios nas cadeias produtivas globais, e choques em preços de alimentação, resultantes de questões climáticas.

A carta ressalta que as projeções da autoridade monetária são de que a inflação acumulada em quatro trimestres prossiga a trajetória de queda ao longo de 2023, terminando o ano em patamar inferior ao de 2022.

O texto endereçado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), foi divulgado depois que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) comunicou que a inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), fechou 2022 com alta acumulada de 5,79%.

O IPCA perdeu força em relação a 2021, quando havia subido 10,06%, mas ficou acima da meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para o ano passado, de 3,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais (5%) ou para menos (2%).

Ao longo de 2022, o IPCA chegou a bater em 12,13% no acumulado de 12 meses até abril. A perda de fôlego, com três meses consecutivos de deflação (queda nos preços), de julho a setembro, foi puxada pelos cortes de impostos sobre combustíveis e outros itens.

A redução na carga tributária se deu em meio aos planos de reeleição de Jair Bolsonaro (PL), que acabaram frustrados pela derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas.

No documento, Campos Neto reiterou que, para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos, o BC tem definido a meta para a taxa básica (Selic) e "continuará a fazê-lo".

Em dezembro, no último encontro do ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) manteve o patamar dos juros inalterado pela terceira reunião consecutiva e encerrou 2022 com a Selic em 13,75% ao ano.

A carta escrita por Campos Neto é a sétima desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999, e a segunda de autoria do atual presidente do BC. No texto divulgado em janeiro do ano passado, endereçado ao ex-ministro Paulo Guedes, o chefe da autarquia atribuiu o estouro da meta de inflação de 2021 ao fenômeno global.

Já o antecessor de Campos Neto, Ilan Goldfajn, teve de se justificar por ter deixado a inflação ficar ligeiramente inferior ao limite mínimo estabelecido para o objetivo de 2017.

Nos outros casos, referentes aos anos de 2015, 2003, 2002 e 2001, foi excedido o limite superior da meta de inflação. Entre as diversas causas, estavam a desvalorização do real, a crise de confiança de investidores, a crise global e o realinhamento de preços.

Antes de Campos Neto, Henrique Meirelles havia sido o único presidente do BC a ter escrito duas cartas ao longo de seu longevo mandato, que durou de janeiro de 2003 a dezembro de 2010.