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Estimativas para o PIB foram de alta de 2,5% a queda de até 6,6% ao longo de 2020

JÚLIA MOURA E EDUARDO CUCOLO
·5 minuto de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em 2020, as incertezas econômicas trazidas pela pandemia provocaram revisões bruscas nas projeções para o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. No início do ano passado, os economistas consultados pelo Banco Central na pesquisa Focus projetavam crescimento de 2,5% para 2020. As projeções começaram a ser revistas para menos de 2% em março, logo após a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarar oficialmente que o mundo estava vivendo uma pandemia, no dia 11 daquele mês. As revisões se acentuaram a partir da decretação de restrições de circulação na segunda quinzena de março e terminaram o mês em queda de 0,9%. Na época, o ministro Paulo Guedes (Economia) chegou a dizer que o mundo havia sido atingido por um meteoro, que eliminou qualquer chance de recuperação do crescimento brasileiro. A indústria automotiva brasileira praticamente parou. A produção de veículos voltou aos níveis da década de 1950. Em maio, os economistas consultados pelo Focus projetavam queda de 4,1%, resultado que acabou sendo confirmado quase um ano depois. As revisões para baixo, no entanto, continuaram. Naquele mês, o Goldman Sachs projetava contração de 7,4% e a estimativa do BTG era próxima, de 7%, e a do Santander, de 6,4%. No final de junho, foi registrada a previsão mais pessimista do Focus (-6,6%). Na época, várias medidas de estímulo já estavam em vigor, mas seus resultados ainda não estavam claros. Além disso, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou naquele mês que o PIB do primeiro trimestre já havia sido negativo. Instituições estrangeiras esperavam uma queda ainda maior. O Banco Mundial chegou a prever retração de 8%, a maior em 120 anos (na realidade, foi a maior em 30 anos) e apontava, entre os problemas, uma redução nos preços de commodities produzidas pelo país. Elas, porém, subiram, na esteira da recuperação mundial movida a muitos estímulos econômicos. A OCDE, organização que reúne as economias mais desenvolvidas, chegou a prever queda de 7,4%. O FMI (Fundo Monetário Internacional), de 9,1%. "Se a atividade econômica ficasse naquele nível de março a abril, a queda do PIB seria de 10% a 11%", diz Luka Barbosa, economista do Itaú Unibanco. A virada nas expectativas se daria no começo de julho, quando começam a ser divulgados dados do mês anterior mostrando os primeiros efeitos da injeção do auxílio emergencial na economia. Além disso, o número de casos da doença diminuía e algumas atividades começavam a ser retomadas. Outros programas de estímulo fiscal e de crédito, em todas as esferas de governo, também mostravam resultados. Naquele período, outros países também já começavam a retomar suas atividades e a adotar estímulos mais agressivos, com destaque para a China, maior parceiro comercial do Brasil, que já se encontrava em plena recuperação após o tombo do início de ano. Nos dois meses seguintes, as projeções já se aproximavam de queda de 5%. No último trimestre do ano, já estavam abaixo desse patamar. Após a divulgação de que o PIB voltou a crescer no terceiro trimestre, realizada em dezembro, voltaram a melhorar e se aproximaram do resultado divulgado nesta quarta-feira (3). Na última pesquisa de 2020, os economistas previam retração de 4,4%. Na véspera da divulgação do PIB, em março deste ano, estavam em 4,2%, praticamente o mesmo resultado anunciado. Dentre os grandes bancos, o Itaú Unibanco foi o único a acertar em cheio a retração que houve no ano passado: 4,1%. O segredo para o acerto do Itaú está no IDAT (Itaú Daily Activity Tracker), ferramenta que a instituição desenvolveu para acompanhar a atividade econômica diariamente. "Tínhamos uma intuição de que a economia iria sofrer muito durante dois meses, que foi o que aconteceu em março e abril, e depois ela ia começar a se recuperar, e o IDAT ajudou a confirmar o que a gente já achava", afirma Barbosa. O indicador combina dados públicos, como o Índice de Isolamento Social, desenvolvido pela Inloco, e o consumo de energia elétrica, com dados do banco, como o consumo de bens e serviço via cartões de crédito e débito vinculados ao Itaú. "Vimos que o consumo de energia teve o piso em abril e, em maio, começou a se recuperar", diz o economista. Em novembro, o banco mudou a projeção de queda de 4,5%, a pior projeção do Itaú para 2020, para 4,1%, o que Barbosa chama de ajuste fino. "Outros economistas achavam que estávamos loucos e depois vieram os parabéns". A instituição não vê sinais de queda na atividade neste ano e projeta crescimento de 0,3% no primeiro trimestre e de 4% no acumulado de 2021, com a Selic 5% ao fim deste ano. Apesar da alta na taxa básica de juros, hoje a 2% ao ano, Barbosa vê a taxa média ao longo do ano como estimulativa. O principal fator para o crescimento, no entanto, será a vacinação. "É o que vai fazer o setor de serviços voltar". A projeção do BTG para 2021, por sua vez, é mais comedida: um crescimento de 3,2%. Em janeiro e fevereiro, porém, o banco esperava alta de 3,5% no PIB. "A surpresa positiva nos últimos trimestres de 2020 deixou um forte carrego estatístico para 2021 (3,6%). No entanto, o agravamento da pandemia no Brasil, associado a fundamentos fracos e piora da dinâmica fiscal, nos deixa mais cautelosos quanto ao crescimento em 2021", afirma o banco em relatório. O banco ficou próximo de acertar o PIB de 2020, com uma projeção de queda de 4,0%.