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Estimados em bilhões de dólares, dois asteroides estão na mira de pesquisadores

·4 minuto de leitura

Asteroides ricos em metal são assunto de grande interesse para pesquisadores, não apenas para estudar a composição do Sistema Solar e investigar suas origens, mas também pela possibilidade de uma futura mineração espacial. Embora esses objetos sejam raros nas proximidades da Terra, um novo estudo menciona dois asteroides que parecem bons lugares para se extrair grandes quantidades de ferro, níquel e cobalto.

Extração espacial não é uma ideia nova — na década de 1970 alguns cientistas já discutiam essa ideia, avaliando não apenas as possibilidades econômicas, mas também as vantagens para o meio ambiente. A premissa é simples: a indústria puder extrair metais valiosos de asteroides no espaço, o planeta poderia ser poupado de danos ambientais.

Publicada no Planetary Science Journal, a nova pesquisa investigou dois asteroides aparentemente ricos em metais relativamente perto da Terra: o 2016 ED85 e o (6178) 1986 DA. O primeiro deles foi inicialmente estimado em 100 mil toneladas de metais do grupo da platina, incluindo ouro.

(Imagem: Reprodução/NASA)
(Imagem: Reprodução/NASA)

Os astrônomos suspeitam que esses asteroides são, na verdade, restos de núcleos de planetas em desenvolvimento destruídos no início da história do Sistema Solar. De acordo com o novo artigo, suas assinaturas espectrais são bastante semelhantes às do gigantesco 16 Psyche (Psique), o maior corpo rico em metais do Sistema Solar, com 226 km, composto de 82,5% de metal. O Psique fica no cinturão de asteroides principal, entre as órbitas de Marte e Júpiter, por isso fica mais distante da Terra. Ainda assim, a NASA planeja enviar uma missão até ele.

Voltando aos asteroides perto da Terra, os autores do estudo estimaram que eles são compostos de 85% de metal (incluindo ferro e níquel) e 15% de material de silicato, ou seja, basicamente rocha. Eles são bastante semelhantes a alguns meteoritos de ferro encontrados na Terra, e talvez haja uma relação entre todos esses pedregulhos metálicos — pode ser que o 2016 ED85 e o (6178) 1986 sejam fragmentos de um grande asteroide metálico do cinturão principal. Se for o caso, os meteoritos metálicos que caem na Terra podem ter a mesma origem.

O (6178) 1986 DA faz parte do grupo dos asteroides Amor, rochas de órbita que se aproximam bastante da órbita da Terra, mas sem atravessá-la. Ele tem uma distância mínima de intersecção da órbita terrestre de 0,1922 UA (1 UA equivale à distância média entre o Sol e a Terra) e cruza a órbita de Marte, além de se aproximar da órbita de Júpiter.

Esse objeto já foi destaque quando os cientistas revelaram que ele continha mais de 10.000 toneladas de ouro e 100.000 toneladas de platina. Na época de sua descoberta, o valor estimado foi de 90 bilhões de dólares para o ouro e um trilhão de dólares para a platina, sem mencionar 10 bilhões de toneladas de ferro e 1 bilhão de toneladas de níquel.

Arte conceitual do asteroide 16 Psyche (Imagem: Reprodução/GrandPB)
Arte conceitual do asteroide 16 Psyche (Imagem: Reprodução/GrandPB)

O 2016 ED85 é um pouco diferente, e pertence ao grupo Apollo. Além disso, ele está mais longe da Terra, a cerca de 4,31 UA, e apresenta um espectro bem parecido com o do 6178. Contudo, o artigo afirma que o ED85 só pode ser considerado um candidato a corpo rico em metal com base nessas semelhanças espectrais, já que ainda não é possível obter dados mais precisos. Os autores trabalharam considerando que “as características espectrais do objeto sejam dominadas pela presença de metal”, ou seja, foi tratado durante o estudo da mesma forma que o DA 1986, “mas tendo em mente que esses resultados precisam ser confirmados por radar”

Por fim, os autores encerram o artigo abordando as chances de mineração no DA 1986, por estar mais próximo da Terra, e uma possibilidade mais remota de explorar o ED85, que fica mais afastado. Devido à grande quantidade de metal e passagens próximas à Terra, eles podem ser alvo de estudo futuro para uma eventual elaboração de projeto de mineração. Contudo, a análise apresentada no trabalho “deve ser tomada como uma estimativa grosseira”, escreveram os autores.

Para trabalhar melhor com as possibilidades de extração dos metais, será necessário obter dados precisos da massa, densidade aparente e abundância dos componentes da rocha espacial. Por isso, o estudo fez uma série de suposições, assumindo que “as propriedades medidas da superfície do asteroide são representativas de todo o corpo”. Além disso, as estimativas sobre o custo do desenvolvimento da tecnologia necessária para minerar esses asteroides foram deixadas de fora da pesquisa.

Apesar de todas essas limitações, o artigo publicado no Planetary Science Journal pode ser um primeiro passo bem útil para futuros estudos.

Fonte: Canaltech

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