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Estilista, franco-atiradora e 'disposta a dar a vida' pela Venezuela

Javier TOVAR
·2 minuto de leitura

Com o rosto cheio de lama e uniforme de camuflagem, Ismaira Figueroa mantém posição em uma montanha, fuzil nas mãos, durante exercícios militares que simulam uma invasão a Caracas.

Esta franco-atiradora da Milícia - corpo civil ligado às Forças Armadas - se declara pronta para defender de qualquer "exército invasor" a Venezuela e a chamada revolução bolivariana, que hoje é liderada pelo presidente Nicolás Maduro e que tem nos militares uma fortaleza.

"Sinto que nasci para isso e se tiver que morrer por isso... estou pronta", disse esta mulher de 43 anos, mãe solteira de quatro filhos, entre eles uma menina de três anos. "Morrer pela minha pátria, pelos meus filhos, pela minha mãe, pelos meus irmãos (...), estou disposta a dar a vida".

Sem seu uniforme, é maquiadora e estilista, faz trabalho social em sua comunidade e compõe um grupo de motoristas. Nas horas vagas, ela gosta tricotar.

Em sua casa, no bairro La Palomera de Caracas, exibe a foto do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013), que ela idolatra.

"Não somos um inimigo pequeno", defende Ismaira, que hoje é segundo sargento. "A Milícia é o senhor que vende verduras ou a senhora que passeia com o cachorro... é uma professora, um taxista, uma enfermeira".

Há cerca de 4,5 milhões de milicianos no país de 30 milhões de habitantes, segundo Maduro.

- "Não tirei a vida de ninguém" -

Ismaira conta que quando entrou para a Milícia em 2010, não pensava em ser franco-atiradora. O comandante de sua unidade a convenceu.

"É um mundo majoritariamente masculino", diz ela, perfeitamente maquiada na entrevista com a AFP.

"Os homens não gostam muito que alguém esteja dentro de sua área. Quando você é um atirador que acerta melhor... desperta certo zelo".

"Antes de disparar o gatilho (...), você limpa sua mente e se concentra apenas na respiração", relata. "Você volta a relaxar e deixa o tiro te surpreender".

Ismaira não está autorizada a falar das operações em que participou. Até agora, só pressionou o gatilho nas práticas. "Não tirei a vida de ninguém", garante, mas diz que está preparada para isso.

Maduro acusa os Estados Unidos e a Colômbia, seus principais críticos internacionais, de liderar planos para assassiná-lo, e convocou a Milícia para ficar em "alerta máximo".

Antes de ser ser miliciana, Ismaira pertenceu aos círculos bolivarianos, grupos impulsionados por Chávez - que não são mais tão comuns -, acusados de violentos ataques a opositores, o que ela nega.

Futura prefeita, vereadora? "Um cargo político, jamais", responde.

Sua aspiração é continuar crescendo na Milícia, onde ganha menos de 4 dólares por mês.

Ela não reclama, celebra os "benefícios sociais" que o governo entrega e culpa as sanções internacionais, que incluem um embargo do petróleo, pelos baixos salários e pela crise venezuelana.

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