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Este telescópio poderá encontrar novas "luas" orbitando a Terra; entenda!

Daniele Cavalcante

Uma equipe de astrônomos acredita que o Large Synoptic Survey Telescope (LSST), que deve entrar em operação em 2020, no Chile, poderá ser usado para estudar outras “luas” que orbitam a Terra. É que, além da Lua que nós já conhecemos, nosso planeta tem em sua órbita uma população de corpos menores, como o pequeno asteroide descoberto pela NASA em 2016, e as chamadas "luas transitórias", que nos orbitam temporariamente.

De acordo com estudo liderado por Grigori Fedorets, examinar esses objetos próximos à Terra (NEOs) com o LSST poderá ajudar os cientistas a entenderem mais sobre eles e, quem sabe, conduzir missões até alguns satélites temporários. O conceito de orbitadores capturados temporariamente (TCOs) foi postulado pela primeira vez em 2006, após a descoberta do RH120, um objeto de apenas 2 a 3 metros de diâmetro que normalmente orbita o Sol. A cada vinte anos, ele se aproxima do sistema Terra-Lua e é capturado temporariamente pela gravidade do planeta.

Em uma definição estrita, apenas os corpos que completam uma volta completa ao redor de um planeta são considerados satélites temporários. No entanto, há alguns asteroides que não configuram uma órbita completa ao serem capturados temporariamente - esses objetos recebem o nome de “fly-bys capturados temporariamente” (TCFs). Segundo Fedorets e seus colegas, os TCFs são um alvo atraente para pesquisas e missões com naves espaciais para coletar amostras.

Impressão artística do asteroide binário NEO 1999 KW4, um NEO potencialmente perigoso, com aproximadamente 1,3 km de diâmetro (Imagem: ESO)

Muitos desses objetos são pequenos demais para serem notados pela maioria dos telescópios e usando técnicas atuais de observação. É aí que entra o LSST, com sua alta resolução e sensibilidade, capaz de se tornar uma das principais ferramentas para encontrar NEOs e até mesmo objetos potencialmente perigosos. Uma vez funcional, o LSST realizará uma pesquisa de 10 anos para tentar desvendar mistérios como a matéria escura, a energia escura, e a formação e estrutura da Via Láctea, mas também observará o Sistema Solar na esperança de aprender mais sobre populações de objetos menores, incluindo os NEOs.

Para determinar quantos TCOs o LSST poderá detectar, a equipe executou uma série de simulações. Os testes revelaram que o telescópio poderia ajudar a encontrar um TCO por ano, e essa taxa pode ser aumentada para um TCO a cada dois meses se softwares adicionais forem desenvolvidas especificamente para esse trabalho.

Isso será benéfico para os astrônomos por várias razões, como o estudo da composição de corpos celestes do Sistema Solar. Os TCOs são “entregues de graça” nas proximidades da Terra, o que facilita bastante o trabalho de chegar até eles. As missões podem acontecer com envio de pequenos satélites, como um CubeSat, ou mesmo podemos dar os primeiros passos na captação e utilização de recursos naturais de asteroides.

Por fim, o estudo desses objetos também ajudará os astrônomos a entender melhor o perigo que eles representam ao nosso planeta, já que muitos desses asteroides cruzam periodicamente a órbita da Terra, apresentando risco de colisão.


Fonte: Canaltech

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