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Este pode ser o 1º planeta descoberto em outra galáxia, a 23 milhões de anos-luz

Daniele Cavalcante
·5 minutos de leitura

Astrônomos encontraram um candidato a planeta localizado em outra galáxia, bem longe da Via Láctea, em uma região de intensa atividade caótica. Este mundo distante parece ser um pouco menor do que Saturno e orbita um sistema binário misterioso que emite uma enorme quantidade de energia. Se for confirmado, ele se tornará o primeiro planeta extragaláctico já descoberto.

O time liderado por Rosanne Di Stefano, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, encontrou este provável planeta na Galáxia do Rodamoinho, catalogada como M51, a cerca de 23 milhões de anos-luz da Terra. Do nosso ponto de vista, essa galáxia fica próximo da constelação de Ursa Maior, mas certamente ela está a milhões de anos-luz de distância das estrelas que compõem essa constelação.

Esse candidato a planeta foi batizado de M51-ULS-1b e está girando ao redor de um sistema binário (ou seja, dois objetos de massa estelar que orbitam entre si) a uma distância de mais ou menos dez vezes a distância entre a Terra e o Sol. O que torna esse sistema interessante é sua atividade e emissão de energia, sugerindo que um dos dois objetos estelares pode ser uma estrela de nêutrons ou até mesmo um buraco negro.

A Galáxia M51 (Imagem: Reprodução/NASA/ESA/S. Beckwith)
A Galáxia M51 (Imagem: Reprodução/NASA/ESA/S. Beckwith)

Caso seja um buraco negro, provavelmente ele está devorando sua estrela companheira a uma taxa enorme, pois está liberando tanta energia que o sistema se tornou uma das fontes luminosas mais brilhantes em toda a Galáxia do Rodamoinho. Só essa luminosidade de raios-X é cerca de um milhão de vezes mais brilhante do que toda a emissão do Sol em todos os comprimentos de onda (o raio-X é apenas um dos muitos comprimentos de onda do espectro eletromagnético, assim como a luz visível).

Esse brilho foi crucial para identificar um objeto tão distante. É que embora seja um brilho intenso, sua fonte é minúscula, o que permite um planeta do tamanho de Saturno eclipsá-la completamente passe diretamente na linha entre a Terra e a tal fonte misteriosa de raios-X. Esse método, chamado trânsito, é o mais utilizado para detectar exoplanetas (mundos que orbitam outra estrela que não o Sol).

Felizmente, no dia 20 de setembro de 2012, o Observatório de Raios-X Chandra estava observando o lugar certo, no momento certo, para detectar a fonte de raios-X. O brilho diminuiu até se apagar e então reapareceu. O trânsito do objeto que eclipsou a fonte durou cerca de 3 horas, indicando que um planeta poderia estar passando entre a estrela e a Terra.

Na época, ninguém estava observando esse tipo de dados do Chandra, mas agora que Di Stefano e seus colegas olharam esse conjunto de informações, perceberam que pode haver, de fato, um planeta ali. Entretanto, ainda é cedo para confirmar a descoberta, por isso o M51-ULS-1b ainda é apenas um candidato a exoplaneta extragaláctico.

O primeiro planeta extragaláctico

O objeto HIP 13044 b, descoberto há 10 anos, foi o primeiro candidato a planeta encontrado em outra galáxia, mas nunca chegou a ser confirmado (Imagem: Reprodução/ESO/L. Calçada)
O objeto HIP 13044 b, descoberto há 10 anos, foi o primeiro candidato a planeta encontrado em outra galáxia, mas nunca chegou a ser confirmado (Imagem: Reprodução/ESO/L. Calçada)

Encontrar mundos em outras galáxias ainda é um grande desafio. Aqui, em nossa vizinhança cósmica chamada Via Láctea, já foram confirmados mais de 4 mil exoplanetas, e os cientistas estimam que existam 40 bilhões de mundos ainda aguardando para serem detectados pelos nossos telescópios.

Entretanto, ainda é difícil distinguir objetos individualmente em outras galáxias, mesmo com nossos telescópios mais avançados. Por isso, a busca por planetas extragalácticos (não confundir com intergalácticos, que seriam mundos que não pertencem a nenhuma galáxia) acabou se tornando frustrante para os astrônomos.

Pesquisadores encontraram o primeiro candidato a planeta extragaláctico em 2010, quando uma equipe detectou o objeto HIP 13044 b através do telescópio MPG/ESO instalado no Observatório de La Silla do ESO, no Chile. Na época, a notícia causou bastante empolgação entre a comunidade científica, mas até hoje o objeto ainda não foi confirmado como um planeta de verdade. Inclusive, em 2014 um estudo foi publicado no periódico Astronomy & Astrophysics justamente concluindo que não havia evidências concretas para oficializar o HIP 13044 b como um planeta.

Agora, caso o M51-ULS-1b seja confirmado, ele entrará para a história como o primeiro planeta descoberto em uma galáxia que não seja a Via Láctea. Caso isso não aconteça, a busca certamente continuará. A equipe estudou apenas uma parte dos dados de raios-X do telescópio Chandra para encontrar este novo candidato, e há muito mais para analisar. “Os arquivos contêm dados suficientes para conduzir pesquisas comparáveis às nossas mais de dez vezes”, disseram os cientistas.

O novo estudo está disponível no arXiv.org, um repositório de artigos que aguardam a revisão por pares antes de serem aceitas para publicação em periódicos científicos.

Fonte: Canaltech

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