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Este pequeno buraco negro estava "escondido" pertinho da nossa galáxia

·2 min de leitura

Um pequeno buraco negro fora da Via Láctea foi detectado por astrônomos enquanto eles observavam o movimento de uma estrela. Embora outros objetos semelhantes já tenham sido encontrados em outras galáxias, essa é a primeira vez que este método de detecção — análise da órbita de uma estrela companheira — é utilizado com esse objetivo.

O objeto tem cerca de 11 vezes a massa do nosso Sol, ou seja, trata-se de um buraco negro de massa estelar. Com seu campo gravitacional, ele exerceu sua influência na órbita de estrela companheira de cinco massas solares. O sistema está no NGC 1850, um aglomerado com milhares de estrelas localizado a cerca de 160 mil anos-luz de distância da Terra, na galáxia vizinha Grande Nuvem de Magalhães.

(Imagem: Reprodução/ESO/NASA/ESA/M. Romaniello)
(Imagem: Reprodução/ESO/NASA/ESA/M. Romaniello)

Agora que o método dinâmico foi bem sucedido ao descobrir um buraco negro fora da nossa galáxia, os astrônomos poderão utilizá-lo mais vezes em aglomerados estelares semelhantes para encontrar buracos negros — quem sabe alguns ainda mais jovens do que este. Com uma quantidade maior de buracos negros desse tipo, cientistas poderão compará-los com outros maiores e mais velhos, o que ajudaria a compreender como estes eles crescem.

Com apenas 100 milhões de anos, o aglomerado estelar globular NGC 1850 é bastante jovem, em comparação a outros de sua espécie (o único objeto semelhante na Via Láctea é Westerlund 1), mas “maduro” o suficiente para que algumas estrelas mais massivas que o nosso Sol já tenham colapsado em buracos negros. Ele é dividido em duas populações da sequência principal, com cerca de um quarto das estrelas em um grupo azul — as mais quentes, massivas e de vida mais curta.

(Imagem: Reprodução/ESO/M. Kornmesser)
(Imagem: Reprodução/ESO/M. Kornmesser)

Aliás, os astrônomos suspeitam que os filamentos avermelhados ao redor do aglomerado, feitos de enormes nuvens de hidrogênio, sejam os restos de explosões de supernovas anteriores, então é possível que haja outros buracos negros ali mesmo, no jovem aglomerado globular. No mapa abaixo, está a região na qual podemos encontrar o NGC 1850 no céu noturno aqui da Terra (com instrumentos adequados), a constelação austral do Dourado. O aglomerado está assinalado com um círculo vermelho.

A descoberta foi feita através do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), que fica no deserto Atacama, do Chile. O instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) montado no VLT, “permitiu observar áreas muito populosas, tais como as regiões mais internas dos aglomerados estelares, e analisar cada estrela individual na vizinhança”.

(Imagem: Reprodução/ESO/IAU/Sky & Telescope)
(Imagem: Reprodução/ESO/IAU/Sky & Telescope)

Com essa imensa quantidade de dados, a equipe conseguiu informações sobre “milhares de estrelas de uma só vez, pelo menos 10 vezes mais do que com outro instrumento qualquer”, disse o co-autor do estudo Sebastian Kamann, do Astrophysics Research Institute, Reino Unido.

A descoberta foi publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e está disponível em pré-impressão.

Fonte: Canaltech

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