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Estamos recuperando a confiança e isso é primordial, diz Bolsonaro

Fabio Murakawa, Matheus Schuch, Murillo Camarotto e Daniel Rittner

Presidente destacou promessa de investimento saudita no país ao discursar em evento de celebração de 300 dias de seu governo O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira que o país está recuperando a confiança no mundo desde que assumiu o cargo, em janeiro deste ano, destacando os investimentos prometidos pela Arábia Saudita no Brasil. Bolsonaro discursou no Palácio do Planalto em evento de celebração de 300 dias de seu governo.

"O mundo está de olho em nós. Estamos recuperando a confiança e isso é primordial. Como é duro você ser recebido em outros países com o manto da desconfiança. Isso acabou", afirmou o presidente.

Depois de ouvir elogios do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a seu discurso "épico" na Assembleia Geral das Nações Unidas, ele exaltou os resultados de sua recente viagem à Ásia e ao Oriente Médio.

Jair Bolsonaro

Wilson Dias / Agência Brasil

"Na Arábia Saudita, o príncipe herdeiro disse que nós não voltaríamos de mãos abanando para o Brasil. Já tinha investido mais de US$ 200 bilhões, e nada para a América Latina", afirmou. "Voltamos com US$ 10 bilhões."

"Antecipar problemas"

Bolsonaro também fez referências aos protestos contra o governo de seu aliado Sebástian Piñera, presidente do Chile, afirmando que há pessoas no Brasil que querem chegar ao Poder "não interessa por que meios".

"Falando em Chile, nós devemos ter a capacidade de nos antecipar a problemas. Sabemos que existem alguns maus brasileiros que ficam o tempo todo maquinando como chegar ao Poder, não interessa os meios. Não podemos admitir isso", afirmou.

Na semana passada, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, declarou que, se "a esquerda radicalizar”, com manifestações de rua semelhantes às do Chile, uma das respostas poderá ser a reedição do Ato Institucional Número Cinco (AI-5). Depois, a pedido do pai, ele se retratou.

"Direito de opinião"

O presidente também comentou a situação política de Eduardo, alvo de pedidos de abertura de processos que podem lhe custar o mandato pela declaração sobre o AI-5, dizendo que respondeu "a uns 30 processos de cassação" durante os 28 anos em que foi deputado federal.

"Nós procuramos dar o melhor de si [sic]. Por vezes erramos", disse. "Na Câmara, respondi a uns 30 processos de cassação. Espero que o meu filho Eduardo não entre nessa linha aí." Ainda de acordo com o presidente, "em todos os momentos, a Câmara respeitou o sagrado direito de opinião, seja ele qual for".