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'Estagnação para 2022 parece contratada', diz Armando Castelar

·3 min de leitura

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Para Armando Castelar, coordenador de economia aplicada do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas), a retração de 0,1% no PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil no terceiro trimestre reforça o quadro de estagnação, que contamina as expectativas para o ano que vem.

Segundo ele, a economia retornou ao ponto de antes da pandemia, mas não avançou depois disso.

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PERGUNTA - Como avaliar o resultado do terceiro trimestre?

ARMANDO CASTELAR - Sem dúvida é uma estagnação, tivemos dois trimestres seguidos sem crescimento. As quedas são pequenas, mas o sinal é negativo. O negativo no terceiro trimestre veio da agropecuária e dos impactos da falta de chuvas na geração de energia. A imunização funcionou, os serviços cresceram e se observou alguma recuperação do emprego. Nesse sentido, a recuperação em 'V' [prometida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes] até ocorreu, mas voltamos ao ponto de antes da pandemia e não conseguimos sair disso.

P. - Estamos lidando com uma economia em estagnação há dois trimestres?

AC - De certa forma, até regredimos. A discussão que precisa ser feita hoje é quais são os motivos que nos fizeram parar. A vacinação ajuda e ainda vamos ter mais impactos positivos dela na economia, mas o esperado era que alguns setores crescessem mais com a vacinação. É preciso lembrar também que o segundo trimestre foi o da segunda onda, era uma base deprimida e que criava expectativas para uma recuperação mais forte agora.

P. - Olhando para frente, o que segura a recuperação da economia?

AC - É a inflação, que está corroendo a renda das pessoas. A escassez de insumos também continua prejudicando a indústria —e antes se imaginava que isso seria resolvido mais rapidamente. A energia mais cara também atrapalha a vida das pessoas e o desempenho das empresas, e a alta dos juros inibe o setor de construção.

A tendência é levarmos essa estagnação para 2022, com alguma recuperação, mas a tendência é essa. A estagnação para o ano que vem parece contratada.

P. - O que poderia ser feito para evitar esse cenário de crescimento medíocre?

AC - Parte do crescimento deve vir de uma recuperação que ainda precisa acontecer com a volta presencial da administração pública e a reabertura dos outros serviços. O restante é mais complicado.

A indústria ainda sofre muito com o que acontece lá fora, com a nova variante. A agropecuária tende a ter um ano bom no ano que vem, mas isso está condicionado ao clima. A confiança é baixa pela incerteza do que vai ocorrer em 2023, há muitas dúvidas quanto à política fiscal e que tipo de modelo econômico será contratado após a eleição. A estagnação em 2022 tem muita relação com isso.

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RAIO-X

ARMANDO CASTELAR PINHEIRO, 66

Coordenador de economia aplicada do Ibre/FGV, foi analista na Gávea Investimento, pesquisador do Ipea e chefe do Departamento Econômico do BNDES; é doutor em economia pela Universidade da Califórnia, Berkeley, mestre em administração pela Coppead/UFRJ e em estatística pelo Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) e engenheiro eletrônico pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

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